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Febre do etanol mantém grãos competitivos

Nas novas fronteiras, valor de áreas arrendadas para cana é menor que renda com milho. A chamada "febre do etanol" ainda está deixando o milho competitivo em relação à cana-de-açúcar no Centro-Oeste - com margens mínimas de 10% acima do produto concorrente - apesar do avanço dos projetos de usinas sucroalcooleiras na região. No entanto, o câmbio e o aumento nos valores pagos pelo arrendamento podem mudar esta equação. "Quem quiser, vai ter de pagar pelo produto e deixá-lo competitivo", avalia Pedro Arantes, assessor-técnico da Federação da Agricultura o Estado de Goiás (Faeg). Segundo dados da Céleres, atualmente os projetos de usinas no estado estão pagando entre 6 a 15 toneladas por hectare para o arrendamento - ante a 22 toneladas em região tradicionais. Com esses valores, a margem da cana-de-açúcar no Centro-Oeste é de R$ 240 a R$ 600 hectare, enquanto o cultivo do milho com média ou alta tecnologia, proporciona um ganho de R$ 680 por hectare. Anderson Galvão, analista da consultoria, diz que a cana-de-açúcar é mais rentável em áreas onde já está instalada - R$ 880 por hectare contra R$ 760 para o milho em Minas Gerais - não em novas fronteiras sucroalcooleiras em virtude da valorização dos preços dos grãos no mercado internacional. "Nos próximos dois anos a tendência é que os grãos continuem rentáveis ", avalia. Os preços internacionais do milho - que nessa segunda-feira (16-04) encerrou a US$ 3,60 o bushel - são os mais altos dos últimos 10 anos. "Esses preços estão acima da média e, portanto, rentáveis para a atividade", acredita Fábio Turquino Barros, analista da AgraFNP. A média histórica do milho é de US$ 2,35 o bushel. No entanto, ele argumenta que a cana-de-açúcar tem dados margens de rentabilidade estável, entre 10% a 25%, enquanto a do milho sai do negativo para o positivo, dependendo da safra. "Há espaço para as duas culturas e não precisam competir entre si", acredita Barros. O analista da Céleres acrescenta que a estimativa é que produtores de grãos passem a ocupar áreas de pecuária, que são mais baratas, e arrendem suas terras para a cana-de-açúcar. "Assim, ele sai ganhando duas vezes", conclui Galvão. Recentemente, Nildemar Secches, presidente da Perdigão, - que tem projetos de expansão em Goiás e está preocupada com o avanço da cana-de-açúcar sobre a área de grãos - disse que a valores entre US$ 3 a US$ 3,40 o bushel, o milho é competitivo em relação à cana-de-açúcar. Alguns analistas, no entanto, não acreditam que, mesmo nestes patamares, o milho seja competitivo. Na avaliação de Paulo Molinari, da Safras & Mercado, com a atual taxa de câmbio, o milho não fica competitivo em nenhum lugar. A preocupação de empresas como a Perdigão é de precisar buscar o grão em lugares mais distantes da produção industrial, encarecendo o produto. "Mas não há perigo de desabastecimento", acredita Adriano Vendeth de Carvalho, consultor da Solo Brazil. No entanto, segundo ele, com o câmbio atual e a perspectiva de aumento de custos, os produtores podem trocar de cultura na próxima safra. "As indústrias ainda têm Mato Grosso para buscar matéria-prima", acredita. O estado é o segundo maior produtor de safrinha de milho. Para Galvão, no ano passado, a cana-de-açúcar era mais rentável que os grãos no Centro-Oeste, o que inchou a região de projetos de novas usinas. Apenas em Goiás são 51 projetos, no total de R$ 7 bilhões e 1,5 milhão de hectares de cana-de-açúcar. "Mas muita coisa foi suspensa com a valorização dos grãos", disse Secches. O gerente-executivo de Atração de Investimentos da Secretaria de Indústria e Comércio de Goiás, Sérgio Castro, garantiu que 18 projetos já estão sendo implantados. Neila Baldi Fonte: Gazeta Mercantil
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