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Exportação de lácteos deve crescer

Depois de o Brasil fechar 2006 com déficit na balança comercial de lácteos, o setor espera um ano mais favorável para as exportações do segmento. O motivo é a recente alta dos preços internacionais de lácteos em função da menor oferta no mercado internacional. Entre dezembro de 2005 e dezembro passado, a tonelada do leite em pó (principal item entre os lácteos exportado pelo Brasil) no mercado internacional subiu cerca de 46%, saindo de US$ 2.050 para US$ 3.000 por tonelada, de acordo com Rodrigo Alvim, presidente da Comissão Nacional da Pecuária de Leite da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). "As empresas voltaram a ter interesse na exportação", afirma. Em 2007, o real valorizado em relação ao dólar desestimulou as vendas externas de produtos lácteos, segundo Alvim. Para este ano, não há expectativa de grandes mudanças no câmbio, mas os preços mais altos dos lácteos devem ampliar o ritmo das vendas externas. "Falta leite no mercado internacional", afirma André Mesquita, diretor da trading Serlac, responsável por cerca de 35% das exportações brasileiras de lácteos. A Serlac comercializa a produção de Itambé, Embaré, CCL, Confepar e Ilpisa. Ele explica que com a ampliação da União Européia - que passou de 15 para 25 países-membros - aumentou o consumo de lácteos dentro do bloco. Assim, a UE, maior exportador mundial, perdeu capacidade para atender à demanda externa. Além disso, segundo Mesquita, houve "crescimento significativo" da procura no Sudeste Asiático. A região importa da Austrália e Nova Zelândia que, para atenderem a demanda dos asiáticos, acabaram abrindo espaço para o Brasil no mercado. Alvim acrescenta que a produção de leite da Austrália também diminuiu por conta da seca. E também houve queda na captação de leite na França e Alemanha, importantes produtores europeus. O Brasil, que vende para as Américas do Sul e Central e África, concorre tanto com a Europa quanto com os países da Oceania no mercado internacional de lácteos e se beneficia da atual situação. "[O quadro] está viabilizando de novo a exportação", avalia Mesquita. Ele diz que já é possível observar aumento no volume de negócios devido aos preços mais altos. Desde outubro, segundo Mesquita, o leite em pó subiu 20% a 25% no mercado internacional. Além de viabilizar as exportações, a alta dos preços no mercado internacional também deve desestimular as importações de lácteos. "Devemos exportar mais e importar menos", diz Alvim. Ele afirma, porém, que ainda é cedo para estimar o tamanho do crescimento das vendas externas. André Mesquita, da Serlac, projeta um avanço de 20% nas exportações. Segundo Alvim, a expectativa de aumento nas exportações já aquece a demanda por leite. Gustavo Beduschi, do Cepea/Esalq, afirma que já "agentes" do mercado indicando alta dos preços ao produtor, mas isso ainda não se concretizou. Para ele, o aumento das exportações pode aquecer o mercado, juntamente com a competição entre as empresas pelo produto. As chuvas também podem afetar a oferta. O Brasil fechou 2006 com déficit de US$ 16,1 milhões na balança de lácteos, com importações de US$ 154, 7 milhões e exportações de US$ 138,5 milhões, segundo a Secex. Além de leite em pó, o país exporta leite longa vida, leite condensado, creme de leite, leite evaporado, queijos e requeijões, manteiga, soro de leite, soro de manteiga.
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