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Empresa norueguesa busca Governo de São Paulo para instalar centro de melhoramento genético de tilápias

O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, recebeu em audiência, no último dia 8, na sede da Pasta, Ricardo Neukirchner, sócio da empresa norueguesa de melhoramento genético de peixes Aquagen e fundador da brasileira Aquabel. A multinacional quer instalar em território paulista um centro de melhoramento genético de tilápias, um dos peixes com melhor desempenho comercial no País.
O objetivo da Aquagen-Aquabel é instalar um centro de tecnologia em genética que seria referência mundial no assunto. A expertise existe, já que a norueguesa é líder do ramo em sua atuação com o salmão e faz parte de um grupo alemão, o EW Group, que lidera mundialmente também nas tecnologias genéticas para frango de corte e de postura e para peru.
“Os investidores estrangeiros resolveram abrir um novo leque com a tilápia e escolheram a nossa empresa, que já trabalha há 22 anos com esse peixe. A ideia é produzir alevinos para colocar à disposição do mercado. Também trazer tecnologias que não são usadas para a tilápia, mas já são para outras espécies como o salmão, que é a mais economicamente desenvolvida. Eles têm tecnologias que nenhum outro grupo tem”, destacou o fundador da Aquabel.
A preferência por São Paulo, como contou Neukirchner, se deu pelo profissionalismo do setor e pela boa oferta de infraestrutura logística como rodovias, aeroportos e portos – o que facilita a comercialização nacional e internacional. A empresa quer ocupar uma área em Jupiá que já era utilizada para aquicultura, o que diminuiria em cerca de dois anos o tempo de início das atividades.
Um trabalho que promete, já na primeira geração de alevinos, focar no combate à principal doença que acomete o plantel: o streptococcus. “É a doença principal e tem mortalidades altas em épocas de pico, como no Verão, e em sistema intensivo de tanque-rede. Uma tilápia resistente a essa doença é um salto muito grande”, considerou Luiz Marques da Silva Ayroza, diretor do Instituo de Pesca (IP) da Secretaria.
Ayroza lembrou ainda que a possível instalação do laboratório da empresa em território paulista também abre possibilidades de intercâmbio entre o IP e a iniciativa privada. Troca de conhecimentos como os técnicos e pesquisadores da Secretaria acompanhando o cotidiano da empresa e, futuramente, o desenvolvimento de uma espécie geneticamente melhorada com a marca do Instituto de Pesca.
Para o secretário Arnaldo Jardim, o interesse da piscicultura norueguesa demonstra a importância de São Paulo na geração de conhecimento agropecuário, abrindo espaço para parcerias com o governo paulista por meio da Secretaria e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A inovação tecnológica pode, inclusive, baixar o preço do peixe para o consumidor final.
“A geração de tecnologia pode também garantir um alimento mais saudável para a nossa população, uma das principais diretrizes do governador Geraldo Alckmin para a Secretaria. Vamos dialogar. Nos interessa muito ter essa iniciativa no Estado de São Paulo”, disse.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) colocam São Paulo como líder na produção de tilápia no Sudeste. Em 2015, foi responsável por mais da metade do total: 24.854.040 dos 48.402.539 quilos produzidos. A perspectiva do setor é que neste ano o consumo aumente 12% no Brasil. Atualmente, a população brasileira consome, em média, 12 quilos de peixe ao ano.
A reunião também foi acompanhada por José Luís Fontes, da Assessoria Técnica da Secretaria, que atualmente faz uma revisão do decreto para licenciamento ambiental para aquicultura. O objetivo é eliminar a informalidade na piscicultura paulista.
Por: Hélio Filho

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