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Disparam preços de milho na exportação

O efeito etanol - que fez a cotação do milho disparar no mercado internacional nos últimos meses - alavanca o valor do produto brasileiro para exportação. Os preços do grão para embarque no porto de Paranaguá no primeiro semestre deste ano chegam a ser até 57% maiores do que os indicados no mesmo período de 2006. De acordo com levantamento da Safras&Mercado, os contratos para embarque a partir de fevereiro variam entre R$ 21 e R$ 22 por saca em Paranaguá. Em igual período do ano passado, estavam entre R$ 14 e R$ 15. O que sustenta a alta no Brasil é a perspectiva de uma maior demanda por milho no mercado internacional em função dos novos projetos para produção de etanol nos Estados Unidos - onde o produto é feito à base do grão. Os americanos vão precisar de mais milho para atender a essa demanda adicional e devem abrir espaço para países como o Brasil na exportação. "A demanda continua crescendo, e os EUA tiveram uma safra pequena, de 273 milhões de toneladas. Além disso, há queda dos estoques mundiais", observa Paulo Molinari, analista da Safras. Esse quadro, afirma, estimulou fundos de investimentos a entrarem comprando na bolsa de Chicago, na expectativa de um mercado especulativo este ano. Ontem, devido à fraqueza no mercado de commodities, as cotações despencaram. O contrato de maio recuou 18,5 centavos de dólar a US$ 3,80 por bushel (ver mais à página B8) Com os atuais preços de exportação em Paranaguá - em dólar eles variam entre US$ 160 e US$ 170 por tonelada - , cooperativas e produtores também estão recebendo mais pelo milho. Segundo Molinari, enquanto nesse mesmo período de 2006 o produto "liquidava" a R$ 11,00 no oeste paranaense, hoje fica entre R$ 17 e R$ 18 no mercado disponível da região. Por "liquidação" entenda-se o preço no porto menos frete e despesas. Além da perspectiva de maior exportação de milho este ano - o Ministério da Agricultura estima 5 milhões de toneladas -, a alta das cotações também é expressiva porque o mercado estava em baixa no primeiro semestre do ano passado, devido à demanda mais fraca. "O milho sofreu [no primeiro semestre de 2006], o preço caiu muito por causa da gripe aviária que derrubou o consumo na Europa e fez granjas reduzirem seu plantel", afirma Welton Menezes, da área comercial da cooperativa Comigo, de Rio Verde (GO). Para amenizar esse cenário de preços baixos, o governo interveio através de leilões de PEP (Prêmio de Escoamento da Produção), Prop (Prêmio de Risco de Opção Privada) e Prepo (Prêmio Equalizador ao Produto). Com esses instrumentos, mais a aquisição de 2,2 milhões de toneladas de milho, conseguiu movimentar 7,8 milhões de toneladas de produto no mercado, dando suporte aos preços internos. Mas, agora, "quem vai dar o tom para o mercado interno dançar é o mercado internacional", afirma Celso Gomes, da Granoeste, de Cascavel. Ele quer dizer que com o maior potencial de exportação pelo Brasil, os preços passam a ser balizados pelo mercado internacional. "O preço tem um novo patamar, de paridade de exportação", acrescenta Flávio Turra, da Organização das Cooperativas do Paraná - Ocepar. Sílvio Farnese, da Secretária de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, concorda e argumenta que "a estrutura de formação de preços mudou". Os valores registrados desde novembro passado em Paranaguá são os maiores desde junho de 2004, quando o preço médio atingiu R$ 22,63 por saca no porto, segundo a Safras. Naquele período, observa Seneri Paludo, da Agência Rural, os preços do milho estavam em alta por causa da quebra da safra no Brasil e do dólar mais valorizado em relação ao real. A estimativa da Safras é de que já foram negociadas para exportação 1,2 milhão de toneladas entre milho da safra de verão e milho da safrinha (que ainda não foi plantada). Parte do produto deve sair pelo porto de Itacoatiara, no Amazonas. De acordo com Paludo, produtores do oeste do Mato Grosso recebem US$ 4,50 a US$ 5,00 por saca de milho para embarque a partir de setembro. A região praticamente não planta milho na safra de verão por isso exportará os volumes colhidos na safrinha. A expectativa de demanda maior para milho brasileiro no mercado internacional e melhores preços devem estimular o plantio na safrinha no país. A Conab projeta uma safrinha de 9,9 milhões de toneladas, mas consultorias, como a Safras estimam uma produção de 12 milhões de toneladas. A previsão da Conab repete os números do ano anterior e até mesmo dentro do governo há quem acredite em uma produção maior.
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