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Descendentes de touros nelore do IZ no Tocantins e em Mato Grosso

Cerca de sete mil doses de sêmen de touros nelore provados do Instituto de Zootecnia (IZ-APTA/Sertãozinho), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, foram utilizadas em três fazendas (Santo Antonio do Uembé, São Sebastião e São Bento), no município de Araputanga, próximo ao pantanal matogrossense, resultando na produção de mais de três mil animais de sangue melhorado e genética positiva. A terceira geração desses reprodutores, com pesos de desmama (aos trinta meses) entre 750 quilos e 800 quilos, está pronta para ser vendida aos produtores de carne.
Nas três fazendas, foi utilizado sêmen dos touros Abil, Álamo, Tapuan, Pacará, Uranato,  Quinado, Tango e Sobrado, do IZ. São várias gerações (bezerros mamando, bezerras desmamadas, garrotes de vinte meses, garrotes de trinta meses, fêmeas paridas) que se adaptaram muito bem ao meio, diz o pesquisador aposentando do IZ e consultor pecuário Luiz Martins Bonilha Neto. “Esse material torna viável a comercialização. São animais criados a pasto que conseguiram produzir muito bem. O tourinho é o produto de venda da fazenda de gado PO (puro de origem), que sobrevive disso. É um ponto intermediário porque quem compra esses tourinhos é exatamente quem vai produzir carne.”
No Mato Grosso, o trabalho começou em 2004, quando Bonilha fez a primeira avaliação e limpeza dos rebanhos das fazendas de dona Anna Borges (Santo Antônio do Uembé), de Albano Borges (São Sebastião) e de Laércio Gomes (São Bento). “Nós usamos o critério de selecionar vacas mais produtivas dentro daquele universo. Essa vacada facilitou bastante o nosso trabalho, porque era uma vacada de sangue de nelore bem definido. Fazia muitos anos que eles vinham utilizando touros famosos, touros de raça. Então, fizeram um núcleo de vacas bastante fácil para ser trabalhado, pela sua qualidade racial.”
Bonilha acreditava que a introdução de touros provados em peso, em carcaça e em produtividade nessas vacas de muita raça permitiria a obtenção de resultados interessantes. “Após a seleção dessas vacas, nós começamos a introduzir os touros Quinado, Pacará...” O resultado foi o aumento significativo do peso à desmama. No início do trabalho, as fêmeas criadas a pasto atingiam entre 260 e 270 quilos, próximo aos dois anos de idade. “Hoje, nós temos as médias de peso das fêmeas próximas a 300 quilos com um ano de idade. Isso adianta muito o trabalho, e o animal mais pesado é um animal mais produtivo e mais precoce sexualmente. A gente consegue fazer com que o ciclo se complete no menor tempo. E fazendo um intervalo menor entre gerações nós conseguimos o máximo progresso genético.”
Pantanal matogrossense
As três fazendas de Araputanga já tem filhas paridas dos touros Quinado e Pacará, conta Bonilha. “Nós já estamos na terceira geração de touros provados em cima das vacas de origem. Nós já temos netas desses touros próximas ao ponto de reprodução.” Os pesos de desmama (aos trinta meses) - o momento em que se comercializam os touros, aos dois anos e meio - estão entre 750 quilos e 800 quilos, prossegue o consultor. “São touros de muito músculo e de temperamento bastante manso. Isto viabiliza o touro como reprodutor. São touros criados exclusivamente a pasto, que conseguem cobrir normalmente a campo e que vão trazer maior peso à desmama da bezerrada que nascer produto deles E quem compra esses touros está comprando um animal completamente adaptado ao ambiente. Isso é muito importante porque o produtor de touros tem que produzir para o mercado um animal que atenda à expectativa do comprador.”
Isto mostra que, ao contrário do senso comum, a seleção para peso não traz problema de fertilidade, observa Bonilha. “A seleção para peso auxilia, desde que se trabalhe corretamente, a diminuir o intervalo de gerações, fazendo com que as fêmeas emprenhem prematuramente, mais cedo.” 
É grande a demanda por esse material melhorado no Mato Grosso – o Estado de maior potencial de produção de carne pelas suas características (extensão, clima e solo) e principalmente pelas condições favoráveis à cria do pantanal -, de acordo com o consultor. “Hoje, se utiliza grande quantidade de touros ainda sem qualificação genética. E quando o mercado tem a sua disposição touros com essa característica, de maior produtividade, maior ganho, maior funcionalidade, maior fertilidade, isso é um incremento muito grande no sistema de produção de carne. A cria no pantanal não agride tanto a natureza. Consegue haver uma convivência pacífica entre a natureza e a vaca. E o pantanal do Mato Grosso produz muito bezerro.”
Por isso, Bonilha considera importante jogar, por meio desses touros, o sangue melhorado, uma genética positiva nessas vacas e tentar produzir mais num espaço menor de área, facilitando a utilização e aumentando a renda de quem produz bezerro. “O produtor tem de ter renda, de ter lucro. A atividade tem que ser muito bem remunerada para que ele possa sobreviver. Isso se consegue com a utilização desses touros que estão sendo produzidos nestas fazendas.”
Tocantins
No município de Bernardo Sayão (Bacia do Rio Araguaia), no Tocantins, foram utilizadas mais de três mil doses de sêmen dos touros Abil, Alamo e Tango (do IZ) e do Invicto (selecionado nas provas de ganho de peso de Sertãozinho), nos últimos três anos, produzindo cerca de 600 bezerros próximos à desmama na Fazenda Dona Nina da Providência, administrada por Luis Antonio S. Ferreira. Os touros foram introduzidos depois de se fazer uma seleção das vacas. “Começamos a utilizar esses touros de forma intensa para produzir os bezerros e as bezerras já provenientes de um programa de seleção com genética melhorada”, conta Bonilha.
O  incremento de peso à desmama já produz os primeiros resultados, segundo Bonilha. “Nós conseguimos, já nesta primeira geração de bezerros provados, botar bastante peso à desmama. Os machos, aos oito meses, já estão sendo desmamados aos 250 quilos e as fêmeas aos 220 quilos. Esse é um número muito significativo. Quem produz gado de corte sabe que esse peso já é um peso bastante interessante.”
Os bezerros mostraram grande homogeneidade de produção, diz o consultor. “Existe cerca de três por cento de animais de descarte, o que é desprezível. E esse descarte geralmente se deve à habilidade materna das mães, porque os touros produzem essa qualidade. Mas tem algumas vacas mais velhas ou algumas vacas mais novas que não dão tanto leite. Então, dão esses bezerros de descarte.”
O uso de um touro que garante homogeneidade de produção viabiliza o negócio do empresário, explica Bonilha, porque quanto menor é a taxa de descarte maior é a possibilidade de se de fazer mais volume de dinheiro em cima do negócio. “Então, é importante que o touro seja um animal que produza padrão. Nós não queremos um touro que produza um animal bom e produza dez ou doze animais mais fracos. Nós queremos touros que produzam médias boas. E essa é uma característica dos touros selecionados pelas provas de ganho de peso. Eles produzem média, e é isso que interessa.”
A primeira venda dos tourinhos da Fazenda Dona Nina da Providência, descendentes dos touros provados do IZ, deverá ser realizada na segunda “Feira de Reprodutores” da propriedade, prevista para meados de 2011.                          
Vantagens
Além de ter uma carcaça já mais moderna e de melhor conformação, esses animais conseguem mais musculosidade e mais rendimento. Em termos de peso, são avaliados o peso físico e os rendimentos que vão ser transferidos para as gerações dos bois a serem abatidos, explica o consultor. “A gente consegue aumentar dois a três por cento no rendimento da carcaça  usando esses touros provados. Isso parece que não é nada, mas dois por cento numa carcaça de 300 quilos são seis quilos; em mil bois abatidos, são seis toneladas. Uma coisa que parece pouco, mas que no conjunto significa muito.”
Bonilha destaca ainda a qualidade dessa carne que já está sendo avaliada. “Os trabalhos mais modernos, que estão sendo conduzidos em Sertãozinho, estão buscando exatamente melhorar essa qualidade da carne, que é um novo interesse da sociedade: uma carne de mais qualidade, uma carne mais macia.”
Outro ponto importante em avaliação é a eficiência desses touros em utilizar alimento, forragem. Quanto mais eficiente, mais produtivo, diz Bonilha. “Se a gente começar a somar características, como ganho de peso, rendimento de carcaça, qualidade e maciez da carne e eficiência alimentar, nós fazemos um conjunto de resultados de pesquisa que pode trazer um proveito muito grande para a sociedade.”
O pesquisador aposentando do IZ acredita que o futuro da pecuária de corte brasileira é a produção de carne a pasto, sem a utilização de suplementação muito forte, de concentrados, “porque a produção de carne não pode competir com o consumo humano”. O boi tem de transformar capim em proteína de qualidade, em carne e leite, diz Bonilha. No caso, a vaca tem de dar leite para desmamar um bezerro pesado, para trazer um produto à desmama com muito peso.
Para Bonilha, a ciência permite produzir esses touros melhorados, que devem ser disseminados no mercado. “Uma das grandes funções do IZ, da Secretaria de Agricultura, é produzir esse material e divulgá-lo. A gente consegue que a ciência produza os animais e que o criador use esse material para produzir carne e produzir divisas para o país.”

Assista aos vídeos:

Fazenda São Sebastião, de propriedade de Albano Borges, no município de Araputanga (MT)

Fazenda Dona Nina da Providencia, de propriedade de Mara Vilela Pereira Dias e filhos, em Bernardo Sayão a 320 km de Palmas (TO)

Acesse Álbum de fotos:

DESCENDENTES DE TOUROS NELORE DO IZ NO MATO GROSSO

DESCENDENTES DE TOUROS NELORE DO IZ NO TOCANTINS

Assessoria de Comunicação da APTA
José Venâncio de Resende
(11) 5067-0424
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