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Degradação das várzeas da sub-bacia do Piracicaba: prejuízos para meio ambiente e agricultura

Não há mais áreas de várzea, rural ou urbana, preservadas na sub-bacia do rio Picacicaba, segundo estudo do Instituto Agronômico (IAC-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, realizado em parceria com a Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (ESALQ-USP) e a Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas. Com o apoio financeiro do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO), os pesquisadores percorreram cada área de várzea, desde o município de Americana (onde começa o rio Piracicaba, formado pelos rios Jaguari e Atibaia) até os municípios de Dois Córregos e Anhembi (onde o Piracicaba deságua no Tietê). Foram mais de 230 pontos de áreas de várzea, num trabalho de fôlego que durou mais de dois anos, conta o pesquisador Rinaldo de Oliveira Calheiros (IAC-APTA), coordenador do projeto. Sobre os impactos ambiental e sócio-econômico da degradação das áreas de várzeas, o estudo constata falta de consciência, conhecimento, educação e preocupação com a importância das várzeas, por parte do homem rural, do meio urbano e até mesmo do poder público. Também aponta a ausência de várzeas ecologicamente efetivas, que resulta na “diminuição ou extinção gradativa da população e de espécies de peixes, como já atestam vários córregos, ribeirões e trechos do rio Piracicaba”. Nas zonas urbanas, a ocupação desordenada das áreas de várzea destrói habitats fundamentais para o equilíbrio ecológico dos corpos hídricos e, em contraponto, sofrem-se hoje as conseqüências de desastres e tragédias hidrológicas, como as cheias, alerta o estudo. Na zona rural, o pasto e a cana-de-açúcar ocupam grande parte das atuais (e já extintas) várzeas na sub-bacia do Piracicaba. “A destruição do habitat, degradação de nascentes (diminuindo, ainda mais, a produção de água) e contaminação dos corpos d´água por produtos químicos são algumas das conseqüências desastrosas.” Entre as sugestões, o estudo propõe, de imediato, “um controle e aprimorado planejamento da intensa exploração de areia no baixo Piracicaba, justamente no único trecho mais preservado da sub-bacia, considerado um paraíso ecológico, abrigando inúmeras espécies de aves, mamíferos e répteis, incluindo alguns em extinção, como o jacaré-do-papo-amarelo. Com todas as várzeas da sub-bacia degradadas, esta área pode estar sendo o principal, senão o único nicho de reprodução de espécies de peixes dependentes das bacias de inundação”. Em relação aos problemas de gestão pública, o trabalho cita “a grande ignorância quanto à importância das várzeas para o meio ambiente”, falta de políticas específicas para promover o desenvolvimento sustentável dessas áreas; falta de informações básicas sobre a várzea-ecossistema, uso do solo, aspectos sócio-econômicos, fundiários e legais entre outros; falta de estratégia de exploração sustentável para o ecossistema várzea e deficiência do sistema de monitoramento e controle. “As práticas atuais de uso dessas áreas não são planejadas”, diz Rinaldo Calheiros, a respeito da falta de estratégia de exploração sustentável. “Há pouquíssimos estudos a respeito das conseqüências ambientais do aproveitamento agrícola das terras baixas. Na área agrícola, apesar de possuírem reconhecido potencial agronômico, a ´agricultura de várzea´ passa por sucessivas e recorrentes crises, como é o caso do arroz, condicionando essa prática agrícola a manter-se sem sistemas produtivos alternativos de menor impacto ambiental, baixa rentabilidade e ausência de mercados para a sua produção.” Hoje, o “ecossistema está ameaçado pela destruição de habitats, pesca não sustentável e exploração madeireira predatória”, continua. “A destruição do habitat, especialmente com a remoção da cobertura florestal para implantação de áreas com gado e cana, reduz a oferta de alimento e abrigo para inúmeros animais e plantas, afetando severamente toda a cadeia produtiva do ecossistema aquático de água doce.” José Venâncio de Resende Assessoria de Comunicação Social (11) 5067-0424/0435 (Gabinete - APTA) (19) 3743-1679 (APTA Campinas) (19) 3231-5422, ramal 124 (IAC - Campinas)
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