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Cresce procura por algodão transgênico

A dois meses do início do plantio da safra 2006/07 de algodão, a corrida por sementes transgênicas segue ritmo acelerado. É a primeira vez que sementes geneticamente modificadas poderão ser vendidas no país. Por enquanto, a única tecnologia autorizada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) é a Bt, que dá resistência a insetos. O germoplasma liberado é o algodão Bollgard, desenvolvido pela multinacional americana Monsanto, e que no Brasil é ofertado com exclusividade pela MDM (joint venture entre o Grupo Maeda e a americana Delta&Pine). A MDM disponibilizou duas variedades de algodão com a tecnologia Bollgard, ofertando ao todo 70 mil sacas de 20 quilos. José Saul Martus, gerente de desenvolvimento de produtos da MDM, diz que mais da metade desse volume já foi comercializada. "A procura dos produtores está mais intensa neste ano, principalmente por conta dos preços favoráveis do algodão no exterior e da previsão de aumento de área plantada no país", afirma. Conforme o gerente, as vendas foram destinadas principalmente a Bahia e Goiás. Ao todo, a empresa oferta para esta safra 180 mil sacas de sementes (entre convencionais e transgênicas), contra 110 mil no ciclo 2005/06. Segundo o Ministério da Agricultura, na safra passada - quando o plantio de algodão transgênico ainda era proibido - o plantio no país alcançou 100 mil hectares. Fontes do setor calculam que será necessária uma oferta de pelo menos 630 mil sacas de sementes para atender à estimativa de plantio de 964,2 mil hectares prevista pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume disponibilizado pelas indústrias nesta safra é estimado em 300 mil sacas. Na corrida pelo algodão transgênico, produtores chegam a contrabandear de países como Estados Unidos, Austrália e Argentina variedades hoje proibidas no país. Os principais "eventos" encontrados já na fiscalização feita pelo governo na safra passada são o algodão RR (tolerante ao herbicida Roundup) e sementes que acumulam as características RR e Bt. Paulo Aguiar, pesquisador da Fundação Mato Grosso (Fundação-MT), diz que entre 75% e 80% da área de algodão plantada no Mato Grosso na safra passada foram cultivadas com sementes estrangeiras. "Muitas vezes as empresas fazem venda casada de semente e defensivo. Alguns produtores preferem economizar e importar semente, ou multiplicar na fazenda." Para Aguiar, o uso de sementes ilegais tende a crescer no país no ciclo 2006/07. Martus, da MDM, considera que o trabalho de fiscalização do ministério ajudou a inibir o uso de sementes piratas. O avanço do contrabando e da multiplicação caseira de sementes também preocupa empresas que hoje aguardam liberação da CTNBio para comercializar algodão transgênico. Uma delas é a alemã Bayer Cropscience. A empresa, que hoje responde por 10% do mercado de sementes de algodão, aguarda a liberação da variedade Liberty Link (resistente ao herbicida glifosinato). A Syngenta Seeds também aguarda a liberação de uma variedade de algodão resistente a insetos.
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