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Cresce a disputa por soja não-transgênica

A compra de soja não-transgênica ficará mais difícil nesta safra 2006/07. A decisão dos produtores brasileiros de elevar a área cultivada com sementes geneticamente modificadas já está levando indústrias a pagar uma bonificação para garantir uma oferta suficiente de grãos convencionais para atender à demanda de seus clientes no exterior. A Caramuru Alimentos começou neste ano a pagar aos agricultores prêmio de US$ 0,50 por saca de soja convencional, como forma de estimular o plantio do grão, que tem custo de produção mais alto que o da soja transgênica. "A indústria tem que indicar ao produtor que há benefícios em se plantar a soja convencional", diz Cesar Borges de Sousa, presidente da empresa. Ele diz que a Caramuru ainda não decidiu se adotará o uso de transgênicos para a produção de industrializados de soja. "Os prêmios no exterior têm de aumentar para que a indústria também se sinta estimulada a manter uma produção 100% convencional". A companhia já trabalhou só com soja convencional, mas hoje utiliza esse tipo de grão apenas na produção de itens industrializados, destinados principalmente ao mercado europeu. "Não garantimos produto não-OGM para itens que não oferecem prêmios, como a soja em grão, por exemplo", diz Borges. Neste ano, a Caramuru originou 460 mil toneladas de farelo de soja não-transgênico, e a meta é chegar a 500 mil em 2007. Para isso, fez parceria com produtores de Goiás e outros Estados para garantir a oferta. A Solae Company, joint-venture entre as americanas DuPont e Bunge, elevou os prêmios aos produtores gaúchos para garantir oferta de soja não-transgênica. Na safra passada, a empresa pagava bônus de 8% sobre o preço da saca vendida no mercado, e agora remuneração extra fixa de R$ 2,40 por saca. Geovane Consul, diretor de manufatura da Solae, afirma que o programa tem atraído o interesse de produtores de todo o Estado e de cooperativas. Consul afirma que 70% da produção da Solae é feita com grãos convencionais, e 30% com transgênicos. A idéia é repetir esse numero na safra 2006/07. "A empresa compra os dois tipos de soja, de acordo com a demanda dos clientes", diz. Antonio Iafelice, presidente mundial da Agrenco, o mercado de soja não-transgênica tende a recuar no mundo. Ele observa que a produção em menor escala aumenta o custo de produção e segregação. "Com preço mais alto e oferta menor, muitos vão descobrir que a soja transgênica não é tão danosa a saúde quanto se temia", observa. A tendência, segundo Iafelice, é que o mercado não-OGM se torne cada vez mais restrito e os prêmios pagos por esse tipo de grão suba. Ele observou que EUA e Canada cobram US$ 25 por tonelada de soja convencional. No Brasil, esses prêmios ficam em torno de US$ 8. "Talvez o prêmio suba para US$ 12 ou US$ 14, dependendo da oferta disponível". Segundo Iafelice, a Agrenco já fechou parceria com produtores para garantir uma oferta de 1,5 milhão de toneladas de soja convencional na próxima safra, mesmo volume do ciclo 2005/06. A Associação Brasileira dos Obtentores Vegetais (Braspov, que representa as indústrias de sementes) estima que o plantio de soja transgênica no país na safra 2006/07 devera representar pelo menos 60% do total, ante 42% na temporada passada. Apesar do menor volume de soja convencional disponível, as certificadoras que atestam a qualidade do produto têm demanda crescente por seus serviços, pelas exigências cada vez mais rigorosas dos importadores. Tais exigências são crescentes também para a chamada "soja sustentável" , o que levou a Associação Brasileira de Agribusiness (Abag) e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) a anunciarem, ontem, a criação de uma organização não-governamental para debater aspectos ligados à sustentabilidade.
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