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Cotação do trigo deve permanecer elevada

A agroenergia e os baixos estoques mundiais devem manter em alta os preços do trigo no cenário internacional. Atualmente, a cotação está na casa dos US$ 225 a tonelada, enquanto a média histórica é de US$ 120 a tonelada. No entanto, a avaliação de especialistas é que os preços não se sustentam no atual patamar, mas devem ficar acima da média histórica. "O câmbio prejudicou o setor produtivo e os preços dos insumos não caíram. Mas o preço recebido pelo produtor nacional estão estabilizados desde o final do ano passado", informou Otmar Hubner, engenheiro agronômo do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria de Estado de Agricultura. Ontem, em Londrina, ele traçou um panorama da produção nacional de trigo, do mercado e dos preços do grão, durante a 1 Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale e 7º Seminário Técnico de Trigo, promovidos pela Fundação Meridional e organizados pela Embrapa e Iapar. O fator preocupante é que preços bons no mercado externo não são traduzidos, no entanto, em rentabilidade para os agricultores nacionais. No Paraná, por exemplo, o custo de produção é de R$ 36,50 por saca para produtores que conseguem produtividade média de 2,4 mil quilos por hectare. A cotação atual está na casa dos R$ 27, o que gera prejuízo de R$ 9,50 por saca. Segundo o pesquisador, para cobrir o custo, o produtor tem que alcançar uma produtividade média de 3.245 quilos por hectare. O trigo, conforme ele explicou, cobre apenas o custo variável das lavouras (desembolso dos agricultores). Apesar deste cenário, ele avalia que o plantio deve ser feito porque as outras culturas de inverno não tem comercialização forte e, além disso, a propriedade tem custos fixos, independente de plantio. Talvez por isso a área plantada vem caindo desde 2004. Naquele ano, foram cultivados 1.360 milhão de hectares. Em 2007, a estimativa é atingir uma área de 850 mil hectares. "Aumento e redução de plantio é sazonal e se o preço for bom a área pode ser ampliada em 2008", disse Hubner. A projeção é colher no mundo (na safra 2007/08) 612,3 milhões de toneladas. O consumo deve ficar em 619,9 milhões de toneladas, gerando um estoque final de 116,6 milhões de toneladas. "A relação estoque/consumo é de 18%, que é a menor dos últimos 40 anos, na média esta relação ficou em 30%. E a tendência é que isto caia ainda mais", argumentou. O cenário atual para o grão é de baixos estoques mundiais, queda na produção nacional, aumento da cotação do grão, queda de câmbio e dos preços recebidos pelos produtores, alto custo de produção, dependência de políticas governamentais com consumo de 52 quilos de trigo por habitante no ano. Na avaliação do pesquisador, os desafios para os produtores são convivência com os riscos da cultura e redução dos custos de produção (para isso devem ser aliadas tecnologia e uso de novas variedades). "O desafio é buscar a auto-suficiência interna. A média de produção é de 4,5 milhões de toneladas, enquanto o consumo nacional é de 10 milhões de toneladas", disse Hubner. Além disso, há uma estimativa de aumento de consumo caso melhore a renda da população. O Paraná produz cerca de 20% do total de grãos produzidos no Brasil em cerca de um terço da sua área agricultável. Como comparação, ele citou que em um terço da área agricultável brasileira seria possível produzir cerca de 1 bilhão de tonelada de grãos, enquanto a produção nacional é de 130 milhões de toneladas de grãos. O engenheiro agrônomo avaliou que o trigo pode expandir na Região Centro-Oeste, se superadas questões tecnológicas. "Os produtores terão que ter garantias de liquidez e renda e os custos logísticos terão que cair", avaliou. Redação Fonte: Folha de Londrina
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