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Congresso paulista de fitopatologia discute sustentabilidade na agricultura moderna

A cobertura das plantas com agrotóxicos sem aumentar o volume de calda, a tecnologia que reduz de 300 para 100 litros de agrotóxicos por hectares de cana e o controle de nematoides em cultivo protegido de hortaliças são alguns dos assuntos de destaque no 34º Congresso Paulista de Fitopatologia, que acontece a partir desta terça-feira em Campinas (SP). O evento, que tem como tem a principal a sustentabilidade na agricultura moderna, é promovido pela Associação Paulista de Fitopatologia (APF) em parceria com o Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL-APTA) e o Instituto Agronômico (IAC-APTA), vinculados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento.
O uso de tecnologias limpas e boas práticas agrícolas vão estar na pauta do Congresso. O objetivo é reunir os profissionais da área para apresentar os avanços científicos e tecnológicos no que diz respeito ao combate a doenças que afetam as plantas, diz a pesquisadora do ITAL Eliane Benato. “O evento é uma oportunidade para difusão de conhecimentos, formação de grupos de trabalho e gerar  discussão sobre novos temas de pesquisa e inovação na área de doenças de plantas.”
Conferências, debates e palestras de especialistas do País e do exterior vão abordar assuntos relativos à pesquisa, desenvolvimento e inovação em fitopatologia, com ênfase na sustentabilidade.  “Além de todo o conhecimento que poderá ser adquirido, o evento também se configura em uma oportun idade de negócios, já que representantes de vários segmentos das cadeias produtivas estarão presentes”, enfatiza Eliane que é diretora do Congresso.    
Entre os destaques da programação, encontram-se palestras como “Sustentabilidade: desafio para a ciência moderna”; “Brasil Food Trends 2020: tendências globais da alimentação”; “Problemas gerais no cultivo de hortaliças em ambiente protegido”; “Situação e desafios para a regulamentação de agentes de biocontrole na América do Sul”; “Doenças de cana-de-açúcar, citros e espécies florestais”; “Situação atual do manejo de doenças de pós-colheita”; “Uso de defensivos na agricultura moderna: educação e sustentabilidade”; “Regulamentação fitossanitária da agricultura convencional e orgânica”.     
Desperdício e custo
Um dos palestrantes do Congresso será o pesquisador do IAC Hamilton Humberto Ramos, que vai abordar a tecnologia de aplicação de agrotóxicos. Com o crescimento da planta, aumenta-se a área foliar existente no hectare, diz Ramos. “Quando isso acontece, o produtor aumenta o volume de aplicação sem levar em consideração outros aspectos importantes, como fator de espalhamento e diâmetro da gota.” O objetivo final, ou seja, a cobertura total do alvo é atingida, mas com custo maior para o produtor e o ambiente, explica o pesquisador. “O rendimento operacional dos pulverizadores é bastante baixo, resultando na necessidade de investimento em um número maior de equipamentos por área ou em sistemas de transporte de água para abastecimento dos pulverizadores, elevando o custo da operação.”
Ramos vai falar sobre a melhor forma de usar o adjuvante do tipo tensoativo, o popular espalhante. O termo adjuvante, explica o pesquisador do IAC, vem da palavra ajudante. “Corretamente aplicado, pode reduzir em até 70% o volume de agrotóxico usado.”
De acordo com ele, o adjuvante do tipo tensoativo (espalhante) age diretamente na molécula de água, diminuindo a força de atração existente. Como resultado, as gotas do caldo de pulverização têm seu tamanho aumentado, mas mantêm o volume tanto de água como de agrotóxico. A economia na cobertura do alvo é garantida.
A falta de informação é a grande responsável pelos equívocos praticados. A alternativa de ampliar o volume para atingir a cobertura desejada é a mais antieconômica, porém, a que requer menor conhecimento técnico. E justamente por este motivo é a mais utilizada.
Ao invés de adotar essa prática, Ramos sugere a utilização do espalhante, capaz de reduzir a tensão superficial da calda de pulverização, resultando em maior cobertura do alvo. Mas adverte que é importante conhecer as características principais do adjuvante escolhido. “Todos eles têm uma dose mínima, a partir da qual são efetivos, e uma dose máxima. A partir desta, a tensão superficial e consequentemente o espalhamento não são mais alterados.”
Máxima eficácia
Já o engenheiro agrônomo do IAC Marcelo da Silva Scapin vai trazer em sua palestra conceitos básicos da aplicação dos agrotóxicos, buscando a máxima eficácia no procedimento.  Para ele, o sucesso na aplicação de agrotóxicos depende da interação entre doença, produto, máquina, momento de aplicação e meio ambiente. Quando a aplicação é adequada, a economia é evidente.
Na aplicação de herbicidas na cultura da cana-de-açúcar, diz Scapin, o procedimento correto resulta no uso de 70 a 100 litros de agrotóxico por hectare, em comparação aos 250 a 300 litros normalmente usados. “Conhecer o alvo biológico, ou seja, os aspectos básicos da patologia, é fundamental para a escolha certa do produto e do pulverizador.” Ele explica que o controle da praga depende da capacidade de redistribuição do agrotóxico na planta.  Assim, nasce o alvo químico, local em que o produto deve ser aplicado para otimizar a ação.
Por sua vez, o pesquisador do IAC Carlos Eduardo Rossi vai destacar, em sua palestra, formas de combater as principais espécies de nematoides no cultivo protegido de hortaliças. Entre os métodos tradicionais não onerosos, de fácil incorporação à rotina de produção, um exemplo está na eliminação de restos culturais, em especial raízes, imediatamente após o final do ciclo. Como complemento, ele recomenda revolver e manter o solo irrigado por 14 dias. “A medida elimina a planta hospedeira do nematoide, afetando diretamente sua sobrevivência.”
O manejo do Huanglongbing (HLB), conhecido como greening, comprovado no Brasil em 2004, será tema da palestra do pesquisador do IAC, Marcos Antônio Machado. O avanço no conhecimento ainda não atingiu níveis aplicáveis ao produtor, diz. “Grande parte do atual modelo de manejo da doença origina-se de trabalho executado pelas empresas no Brasil, resultado da necessidade urgente de se manter competitivo, mesmo com a ocorrência de HLB no pomar.”
A importância e as estratégias do melhoramento genético da cana-de-açúcar visando à resistência a doenças serão tema da palestra do pesquisador do IAC, Marcos Guimarães de Andrade Landell. O Programa Cana IAC, coordenado por Landell, é um dos maiores programas brasileiros de desenvolvimento de variedades, com uma rede com 700 experimentos em 11 estados brasileiros, além de México, Angola, Moçambique e Peru. Das 20 variedades de cana IAC lançadas nos últimos oito anos, 19 são para uso industrial e uma para fins forrageiros.
As tecnologias aumentam a produção sem expandir a área cultivada, elevam o teor de sacarose, ampliam a resistência a pragas e doenças e adaptam as variedades às condições de solo e clima de diversas regiões. A adoção de materiais IAC em conjunto com o manejo varietal traz ganhos de 15 a 30%. Esses saldos, somados à variabilidade genética das lavouras, reforçam o arsenal brasileiro na competição mundial em torno do biocombustível.
Premiação
Durante o evento, haverá a entrega de prêmios para profissionais da área, incluindo o melhor trabalho científico publicado na revista “Summa Phytopathologica”; o melhor trabalho científico apresentado no Congresso; e o melhor projeto de iniciação científica.  “Iremos premiar os profissionais que se destacaram e ofereceram grande contribuição à fitopatologia”, diz a diretora do Congresso. 
A pesquisadora Margarida Fumiko Ito, do IAC, vai receber o Prêmio Paulista de Fitopatologia 2010, pelos relevantes serviços prestados ao setor. A outorga é feita com base em eleição junto aos sócios da APF e votação da comissão de premiação do 34º Congresso Paulista de Fitopatologia.
O Congresso Paulista de Fitopatologia acontece anualmente desde 1974 e tem como objetivo apresentar os avanços científicos e tecnológicos na área de doenças de plantas. Conta com a participação de profissionais de ensino, pesquisa e extensão do setor público e privado, estudantes de graduação e pós-graduação, além de representantes de órgãos reguladores, indústria, comércio e setor produtivo.
Este ano serão expostos cerca de 250 trabalhos científicos, além da participação de representantes dos vários segmentos das cadeias produtivas.
Mais informações sobre o evento estão disponíveis nos sites www.iac.sp.gov.br e www.ital.sp.gov.br.
A programação completa está disponível no site www.cpfito.com.br.
SERVIÇO
XXXIV Congresso Paulista de Fitopatologia
Data: 15 a 17 de fevereiro de 2011.
Horário: 8h às 17h
Local: Sede do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) – avenida Barão de Itapura, 1481, Guanabara, Campinas, SP.
Assessoria de Imprensa do ITAL
Cleide Elizeu
(19) 3743-1757
Assessoria de Imprensa do IAC
Carla Gomes
Raquel Hatamoto (estagiária)
(19) 2137-0613/0616
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