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CONAB Confirma Aumento Da Produção Em 2005/06

A produção brasileira de grãos deverá ocupar 48,878 milhões de hectares e render entre 122,668 milhões e 124,881 milhões de toneladas nesta safra 2005/06, conforme o segundo Levantamento de Intenção de Plantio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado ontem em Brasília com base em pesquisa de campo realizado em novembro. Em relação ao primeiro levantamento, que refletiu pesquisa de campo feita em outubro, houve pouca variação. Na comparação com os resultados da conturbada temporada 2004/05, a área plantada deverá cair até 5,3% mas a colheita poderá aumentar até 10%. O paradoxo se explica sobretudo pela quebra da produção no Sul do país no ciclo passado, causada por estiagem. Para a soja, carro-chefe do campo nacional e das exportações do agronegócios, a Conab ajustou sua projeção para entre 57,354 milhões e 58,530 milhões de toneladas, ante as 51,090 milhões de 2004/05. Mas muitos analistas vislumbram uma safra menor, em razão da queda de área - prevista pelo governo em até 6,9% - e do menor uso de insumos derivado da crise de liquidez das lavouras neste ano. Antonio Sartori, da Brasoja, prevê produção de 52 milhões de toneladas em 2005/06. "Mas estou torcendo para que a Conab esteja certa", disse Sartori. Para a safra de verão de milho, a Conab projeta até 32,861 milhões de toneladas, volume 20,5% superior ao colhido em 2004/05. A área plantada, neste caso, poderá crescer até 5,9%, para 9,552 milhões de hectares. Especialistas lembram, porém, que esses números também poderão mudar em consequência dos atuais baixos preços. Entre os principais produtos agrícolas do país, o feijão é o que deverá registrar o maior aumento da produção - o salto poderá chegar a 29,2% em relação a 2004/05, para 1,423 milhões de toneladas. O algodão (caroço), em contrapartida, deverá, segundo a Conab, amargar o maior recuo. O tombo poderá chegar a 31,6%, para 1,457 milhão de toneladas. Para arroz e trigo também estão estimadas quedas, de no máximo 13,5% e 19,2%, respectivamente. As previsões divulgadas pela Conab levaram em conta o atual comportamento do clima, que por enquanto estão favoráveis às lavouras na maior parte das regiões produtoras. "Voltou a chover no Rio Grande do Sul nos últimos dias, o que é uma boa notícia. O problema é que em dezembro do ano passado o clima também estava favorável e deu no que deu", afirmou Antonio Sartori. Para os segmentos de máquinas agrícolas e fertilizantes, o levantamento da Conab confirmou as perspectivas de queda das respectivas indústrias para 2005. E tanto a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) quanto a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) creditam as retrações reportadas à descapitalização dos produtores (Valor, 7/12/05) SETOR DE MÁQUINAS PREVÊ RETOMADA SÓ EM 2006/07 As indústrias de máquinas e implementos agrícolas esperam se recuperar da crise vivida pelo setor agrícola apenas a partir da safra 2006/07, que começará a ser plantada no fim do ano que vem. Para o atual ciclo, as previsões são de vendas retraídas no país e no exterior. Na área de tratores e colheitadeiras, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projeta para 2006 vendas no mercado interno de 27 mil unidades - 16% mais que o previsto para este ano. No acumulado de janeiro a novembro, as vendas internas caíram 39% sobre igual período de 2004, para 21.996 unidades. Persio Luiz Pastre, vice-presidente da Anfavea, observou que o ritmo de queda tem diminuído desde outubro, indicando que "o setor já chegou ao fundo do poço". "A tendência agora é de recuperação, mas que ainda será lenta em função dos preços internacionais, do câmbio e da falta de capital para investir por parte dos produtores", disse Pastre. No front das exportações, a previsão é fechar o ano com entrega de 31 mil unidades. De janeiro a novembro, os embarques cresceram 4,6%, para 29.418 unidades. Pela primeira vez, as exportações superaram as vendas do mercado interno mas a tendência, segundo Pastre, é que os números se equiparem em 2006. Em receita, o setor prevê para o o ano exportações de US$ 2 bilhões e, para 2006, um acréscimo de até 2% sobre esse valor, devido à atualização dos preços no exterior. "O câmbio atual não permite às indústrias brasileiras manterem os preços atuais no exterior", disse. Segundo Pastre, o reajuste poderá provocar redução no volume exportado. A produção do setor deve atingir 55 mil unidades em 2005 e 58 mil no próximo ano. De janeiro a novembro, a produção caiu 22%, totalizando 51.127 unidades. O setor de implementos agrícolas registrou queda de 38,5% de janeiro a outubro em comparação com o mesmo período de 2004, resultando em receita de R$ 3,862 bilhões, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). As exportações no período caíram 8,3%, para US$ 396 milhões, e as importações recuaram 22,7%, para US$ 78 milhões. "A crise continua se acentuando e a tendência é encerrar o ano como índices piores que estes", disse Newton de Mello, presidente da Abimaq. Segundo ele, não haverá melhora nas vendas em 2005/06 em função do câmbio e da descapitalização dos produtores, e só uma mudança na política econômica - com redução de juros, descontingenciamento de verbas e redução da carga tributária - poderá trazer novo estímulo às indústrias do setor.
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