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Brasil poderá embargar carne argentina

O governo brasileiro discutirá hoje o fechamento da fronteira com a Argentina para a entrada de animais vivos e carne com osso, depois que foi confirmado o surgimento de um foco de febre aftosa no município de San Luiz del Palmar, na província de Corrientes, no Nordeste do País, próximo ao Paraguai. Ontem, o Ministério da Agricultura decidiu proibir a entrada apenas dos animais e da carne com osso provenientes do município onde surgiu o foco. A medida poderá ser ampliada amanhã. A medida, bastante restrita, foi adotada depois de uma tarde inteira de hesitação. O setor privado está preocupado com o risco de animais doentes ingressarem no País: o foco está a apenas 280 quilômetros da fronteira com o Rio Grande do Sul, Estado produtor de carne onde não há focos da doença. O Brasil enfrenta embargos à exportação da carne para 56 países, por causa dos focos em Mato Grosso do Sul e no Paraná. Os pecuaristas brasileiros querem que o governo feche toda a fronteira com a Argentina, para evitar o risco sanitário, principalmente depois que vários casos da doença foram diagnosticados no País. "É um erro não fechar a fronteira. Os Estados poderão fazer isso de forma unilateral", acrescentou o presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira, que quer alertar o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, em reunião marcada para amanhã. A grande preocupação no País é o Estado de Santa Catarina, único reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como área livre de aftosa sem vacinação. "Os animais de Santa Catarina têm imunidade zero, ou seja, estão desprotegidos", alertou uma fonte do ministério. O secretário de Defesa Agropecuária, Gabriel Alves Maciel, explicou que o tratamento dispensado à Argentina foi o mesmo adotado pelo país vizinho quando surgiu o foco de febre aftosa em Mato Grosso do Sul, em outubro passado. Num primeiro momento, a Argentina restringiu as importações de carne só da região interditada pelo Ministério da Agricultura e depois ampliou o embargo. Cautela O governo tratou o problema com muita cautela durante o dia de hoje. O surgimento do foco de aftosa na Argentina foi comunicado pelo presidente do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentícia (Senasa), Jorge Amaya. A Secretaria de Defesa Agropecuária pediu aos veterinários das superintendências de agricultura que "ficassem mais vigilantes" em relação ao trânsito de animais e produtos argentinos. No início da noite de ontem, foi anunciada a restrição da entrada de produtos bovinos da Argentina originários da área do foco. O Ministério da Agricultura chegou a anunciar o fechamento da fronteira com a província de Corrientes, mas corrigiu a informação logo depois. Embargo No ano passado, quando foram descobertos vários casos da doença no Brasil, a Argentina foi rígida e suspendeu as compras de carne até de Santa Catarina. Em janeiro, flexibilizou o embargo e retomou as importações de carne suína de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o Brasil importou US$ 79 milhões em carne bovina in natura no ano passado. Desses, US$ 30 milhões vieram da Argentina. O presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, pediu um "pente fino" na fiscalização da fronteira. Também solicitou reforço na desinfecção dos veículos que transitam pela região. Para Sperotto, a ocorrência de aftosa na Argentina deve abrir espaço para a carne gaúcha no Uruguai. O país vizinho compra produto argentino para abastecer o mercado interno, já que é fortemente exportador, e agora precisará de um novo fornecedor.
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