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Brasil planta pinhão-manso mesmo sem pesquisa

Empresas ligadas à produção de biodiesel começam a cultivar pinhão-manso em escala como matéria-prima para o combustível. O investimento ocorre antes mesmo de haver informações agronômicas seguras para a realização deste plantio."O que está ocorrendo em alguns projetos é a queima de etapas. As instituições de pesquisa recomendam que se aguarde, pelo menos, cinco anos de estudos. Mas, áreas grandes de cultivo já estão projetadas pela iniciativa privada", explica Miguel Biegai Júnior, analista da Safras & Mercado. Segundo ele, apenas um projeto individual deverá implantar área de até 200 mil hectares em quatro anos. Apenas a Renova Biodiesel, de Araguaína, Norte de Tocantins, pretende chegar a 2011 com 25 mil hectares de pinhã-manso. A empresa já implantou viveiro de 150 hectares, onde cultiva 187 mil mudas. O objetivo, segundo o diretor-presidente da companhia, Walter Tatoni, é ainda este ano atingir 5 mil hectares. Parcerias serão firmadas com pequenos produtores, que devem responder por, pelo menos, 10% da matéria-prima adquirida pela empresa, que também pretende arrendar terras para cultivo próprio. Segundo Tatani, uma assessoria técnica foi contratada para implantar o projeto. Ele acredita que diluirá riscos, pois a planta industrial será apta para processar outras matérias-primas, além do pinhão-manso, tais como dendê e sebo bovino. As obras da indústria começam em março do ano que vem e vão demandar investimentos de R$ 45 milhões. Será instalada capacidade para produção de 60 milhões de litros por ano. A conclusão está prevista para outubro de 2009. Nas áreas de pesquisa de pinhão já foram identificados ataques de pragas, como cigarrinha e ácaro branco, segundo Renato Roscoe, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Agropecuária Oeste). A entidade possui área de cultivo de 8 mil hectares em Eldorado (MS). "O que é preciso entender é que o pinhão-manso tem potencial, mas não é uma planta milagrosa. Seu cultivo em larga escala lhe trará doenças e pragas, como em qualquer outra cultura", alerta Roscoe. Ele informa que essas pragas foram controladas nas áreas experimentais, no entanto, ainda não existe nenhum agrotóxico registrado para o combate. O maior risco para quem produz essa oleaginosa sem informações agronômicas, segundo Roscoe, é uma possível decepção com os níveis de produtividade da planta. Estimativas apontam que o potencial de extração de óleo do pinhão é de até 2 mil litros de óleo por hectare, quando a maioria das outras oleaginosas resultam em níveis abaixo de mil litros por hectare. No entanto, o pesquisador pondera que essa referência de produtividade foi feita a partir de produção isolada da planta, que é a única forma na qual ela se apresenta no Brasil. "Geralmente, está isolada ou, no máximo, como cerca viva. Era usada como purgante natural e para fazer sabão caseiro", acrescenta. Assim, segundo ele, acreditar que plantar o pinhão e esperar boas produtividades é um erro.
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