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Brasil ensina a elevar consumo de café

O Brasil conseguiu fortalecer sua posição na Organização Internacional do Café (OIC). Por decisão da entidade, o programa de aumento de consumo de café do país, lançado no início dos anos 90 - e que ajudou a impulsionar as vendas no mercado doméstico - deverá ser utilizado pelos principais países produtores do grão. Outra proposta brasileira, de se criar um programa de rastreabilidade de café como forma de manter a sustentabilidade econômica da produção global, também foi aprovada pelos integrantes da organização. Segundo Nathan Herszkowicz, ddiretor da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), que participa da reunião da OIC em Londres esta semana, é consenso entre os países produtores que o programa brasileiro de incentivo ao consumo do produto poderá alavancar a demanda mundial. Em 2004, a consultoria brasileira P&A foi contratada pela OIC para elaborar um estudo de fomento para os países produtores de café sem tradição no consumo. Para fazer esse trabalho, a P&A visitou países como Vietnã, Quênia, Uganda, Colômbia, Índia, México e Guatemala para traçar um perfil com os hábitos de cada um deles para a elaboração de estratégias de estímulo à demanda em seus próprios mercados. Esse programa tem o objetivo de traçar o perfil de cada país e detectar os principais motivos que levam a população dessas nações a não consumir café. A partir desse trabalho, a estratégia de estímulo ao consumo é traçada. Neste ano, a P&A prestou consultoria na Índia e iria fazer um trabalho parecido na Nicarágua. No Brasil, o programa de incentivo ao consumo teve de trabalhar a melhora da qualidade do café consumido no país, quesito que era considerado ponto fraco do setor. Com a adoção dos programas de qualidade, o consumo no país saltou de 8,2 milhões de sacas em 1990 para 16 milhões de sacas este ano, alta de 95%. O programa de rastreabilidade dos grãos, que prevê a certificação dos cafés de qualidade que poderá ser adotado pelos países produtores, já é adotado no Brasil, segundo Herszkowicz. Na semana passada, a Abic e o Caccer (Conselho das Associações dos Cafeicultores do Cerrado) assinaram um protocolo de intenções para adotar a rastreabilidade do grão desde o plantio até o produto final para o consumidor. Durante a reunião anual da OIC, que teve início na segunda-feira, com término amanhã, também foi discutida a necessidade de se mudar o estatuto da entidade para dar maior dinâmica à organização. Os EUA, que recém-integraram a OIC, defendem a revisão total do estatuto atual. Mas outros países, como Brasil e União Européia, defendem a inclusão de emendas. Entretanto, ainda não se chegou a um consenso sobre o assunto.
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