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Borracha natural: produção paulista cresce mas está longe das metas de autossuficiência

A heveicultura paulista cresce em área, produção e número de produtores, segundo pesquisadores do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. “Porém, está ainda muito longe das metas do setor, que previam a autossuficiência do país em relação à importação de látex a médio prazo e a retomada do mercado externo para pouco tempo depois.”
As expectativas não se concretizaram devido à competição entre culturas por área e rentabilidade e por fatores relacionados às características intrínsecas da cultura, dizem os pesquisadores Vera Lucia Ferraz dos Santos Francisco, Denise Viani Caser, Carlos Roberto Ferreira Bueno e Carlos Eduardo Fredo. Tais características “conferem a este tipo de exploração um tempo de maturação de projeto muito longo, além do fato de que o crescimento da demanda é muito superior ao da produção”.
Em relação aos fatores socioeconômicos, não se verificou muita diferença entre o primeiro levantamento censitário em 1995/1996 e o segundo em 2007/2008, observam os pesquisadores do IEA. Isto “indica que, em linhas gerais, o perfil do heveicultor paulista não se alterou significativamente nestes últimos quinze anos”.
O estudo mostra que a heveicultura paulista cresceu nos últimos 12 anos a taxas de 6,6% em produção e de 5,9% no número de pés, como consequência de medidas de estímulo a P&D, melhoria tecnológica, treinamento de mão-de-obra e encorajamento à produção consorciada. Os autores destacam, ainda, fatores de incentivo ao crescimento da atividade, como proteção ao solo e aos mananciais e capacidade do sequestro de carbono (que evita o acúmulo dos gases do efeito estufa), que “conferem a esta atividade importância estratégica”.
Outros fatores de estimulo à atividade, apontados pelos pesquisadores do IEA, são a exploração comercial de sua madeira e a implantação de outras atividades agrícolas (milho, amendoim, feijão, cacau, café e apicultura), durante a formação das áreas, mesmo quando as árvores estão em produção. “Assim, verdadeiros sistemas agroflorestais são formados e, além de maximizar o uso da área, minimizam os custos de implantação do seringal.”
Consumo de borracha natural
O consumo brasileiro de borracha natural está em torno de 300 mil t/ano e a produção é de, aproximadamente, 100 mil t/ano, observam os técnicos. “Portanto, o descompasso entre consumo e produção tende a se ampliar, pois o percentual de crescimento da produção é menor que o do consumo. Do total de borracha natural utilizado pela indústria nacional, 82,0% tem como destino a indústria pesada (representada pela indústria de pneus) e 18,0% a indústria leve de artefatos de borracha.”
O suprimento do mercado interno do produto fica a cargo dos grandes produtores mundiais localizados na Ásia (principalmente Indonésia, Tailândia e Malásia) onde se avizinha o limite de suas produções, relata o estudo. Porém “o Brasil desponta como o país com maior potencial no panorama mundial para atender à demanda crescente, principalmente dos países em desenvolvimento como a Índia e a China, que apresentam ritmos de crescimento acelerado. Por apresentar ainda áreas disponíveis e condições edafoclimáticas favoráveis à cultura sem comprometer suas áreas de mata natural, o país tem como aumentar significativamente sua produção de látex apenas com a utilização de áreas com pastagens degradadas ou subutilizadas por culturas de menor expressão comercial”.
Renda bruta em São Paulo
A renda bruta da borracha atingiu R$ 246,6 milhões em 2008, ocupando o 21º lugar no total da renda bruta na agricultura paulista, de R$38,5 bilhões, segundo estudo do IEA. Já o número de unidades de produção agrícola (UPAs) que se dedicam à seringueira soma 4.402 unidades de acordo com o LUPA (2007/2008), quase dobrando em relação ao censo anterior (1995/1996), que foi de 2,4 mil unidades.
A área com seringueira concentra-se principalmente na região noroeste do Estado. São 26 municípios paulistas que totalizam quase 50% desta área. O tamanho do seringal, em sua maior parte, tem de 10 a 100 hectares e são pouquíssimas as UPAs que aparecem com seringais entre 500 e 1.000 hectares (apenas 2% das áreas com seringueira têm essa dimensão).
Link: LUPA 2007/2008 e a Cultura da Seringueira no Estado de São Paulo
Assessoria de Comunicação da APTA
José Venâncio de Resende
(11) 5067-0424
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