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BM&F apresenta modelo de hedge em reunião da Câmara Setorial de Soja

Um modelo de minimização de riscos na comercialização foi apresentado, em reunião no dia 19 de junho da Câmara Setorial de Soja, pelo chefe do Departamento de Mercados Agrícolas da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), Luiz Cláudio Caffagni. Trata-se do hedge, que permite a um vendedor ou um comprador fixar o nível de preço futuro pelo qual deseja comercializar a sua mercadoria. Um produtor de soja que deseja fixar o preço para o futuro deve, em primeiro lugar, avaliar se o preço no futuro está bom ou ruim. Para isso, ele precisa conhecer a localidade de referência do preço – no caso da soja, é Paranaguá (PR). Se este produtor encontra-se em alguma região do Mato Grosso, terá um diferencial de preço até Paranaguá (frete) que deve ser considerado na operação, ou seja, ao tomar a decisão de vender futuro (travar ou fixar o preço no futuro quando ele dispor da mercadoria). Diante do preço fixado, o produtor deve verificar qual o custo de produção, que servirá de base para ele definir a margem de garantia na comercialização da soja. “Então, fundamentalmente, ele precisa ver a referência do preço futuro, trazê-lo para a sua região (descontando o frete), e comparar este preço com o custo de produção. Aí, o produtor determina a margem bruta que ele quer assegurar”, resume Caffagni. Já para o comprador a conta é inversa. O comprador verifica se a margem entre o preço de venda dos subprodutos e o preço de compra da soja, por exemplo, está de acordo com a remuneração que ele deseja, explica Caffagni. Em caso de margem favorável, ele compra no futuro para assegurar essa margem. “Assim, de maneira geral, os preços têm sempre que estar comparados com alguma estrutura produtiva, do ponto de vista do produtor, ou com alguma estrutura comercial do ponto de vista do comprador.” Mas existem também outros agentes, como as empresas de insumos, que são vendedores no futuro. A empresa de insumos vai entregar defensivo para receber soja, por exemplo, na frente. Se no momento em que o produtor for saldar a dívida, o preço estiver muito baixo, ele vai vender no mercado e não vai conseguir recuperar o dinheiro correspondente à quantidade de defensivos que a empresa adiantou. Logo, o risco é o preço cair. Assim, a posição que a empresa terá de fazer na bolsa é uma venda. E para saber se deve fazer o hedge a empresa de insumo precisa olhar o preço futuro, eliminar os custos e o frete e definir a sua margem, o que resultará na fixação do preço. A empresa divide o custo do insumo pelo preço e chega na relação de troca defensivo/produto. “Na verdade, a empresa de insumos pega o preço futuro e traz para a região onde vai fazer a troca, tira os custos e faz o cálculo da relação de troca. É esse cálculo da relação de troca que ela oferece aos clientes”, mostra Caffagni. No momento em que assina o contrato de troca com o produtor, a empresa vende futuro – faz um contrato a termo, a partir da fixação do preço para uma data futura – a fim de garantir a sua margem na operação. “Na hora em que ela assina esse contrato a termo, ela vai receber uma determinada quantidade de mercadoria lá na frente. Esse contrato tem o risco de o preço cair lá na frente. Então, ela vende futuro para se proteger.” Isto vale também para uma exportadora de soja, que também entra na posição vendida e pode entrar na posição comprada, observa Caffagni. “Isso tudo vai depender da estrutura dos agentes. A estrutura do produtor é o custo de produção. Para uma empresa de insumos é a troca. Para uma exportadora é o contrato de exportação com o importador. Para uma exportadora que quer originar soja é o contrato a termo. São essas estruturas que carregam o risco. E é dentro dessas estruturas que tem de ser montada a operação.” A importância do hedge é permitir que esses agentes possam fazer todas essas operações com a maior previsibilidade possível, ou com o menor risco de preço possível, minimizando esse risco antecipadamente. “Disso tudo, a gente consegue extrair que os agentes, com o mercado futuro, conseguem planejar melhor o seu negócio”, conclui Caffagni. José Venâncio de Resende
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