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Banana: representantes do setor e pesquisadores alertam Brasília sobre riscos de importações do Equador

 A permissão de importações de bananas do Equador vai contribuir para exterminar a bananicultura nacional, por causa dos sérios riscos de introdução de pragas de importância quarentenária A1, como o Vírus do Topo em Leque da Bananeira (BBTV) e o Vírus Mosaico das Brácteas da Bananeira, além de outros insetos; de estirpes ou cepas de pragas quarentenárias A2, como Mycosphaerela fijiensis e Ralstonia solanacearum; e de pragas não-quarentenárias regulamentadas, como o Vírus das Estrias da Bananeira (BSV) e o Vírus do Mosaico das Cucurbitáceas (CMV).
O alerta da Confederação Nacional dos Bananicultores (CONABAN) foi feito em meados de abril, durante reunião em Brasília com o ministro de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mendes Ribeiro Filho.
Participaram do encontro representantes do setor produtivo dos estados de São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Bahia e os pesquisadores Addoloratta Colariccio e Josiane Takassaki Ferrari, do Instituto Biológico (IB-APTA), e Wilson da Silva Moraes, do Polo Vale do Ribeira/APTA Regional, vinculados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Outra grande preocupação do setor - baseada em “Relatório Técnico” da pesquisa, elaborado por Moraes a pedido dos produtores - é a introdução de cepas do fungo M. fijiensis, agente causal da sigatoka-negra, que adquiriram resistência ou perderam a sensibilidade aos fungicidas aplicados de forma indiscriminada em países da América Central.
Este fato, prossegue o Relatório, pode ser comprovado pelo número de aplicações de fungicidas anuais necessários ao controle da doença, que, no Brasil, são apenas 10 contra 32 e 52 aplicações anuais no Equador e na Costa rica, respectivamente. “Estes patógenos podem estar fortemente vinculados aos frutos in natura e, desta forma, serem introduzidos nas áreas livres (ou não) em todo território brasileiro.”
Para elaborar o Relatório Técnico, Wilson Moraes, que é também professor da UNESP-Registro, reuniu informações acerca do assunto com base na literatura disponível e contribuições advindas dos pesquisadores do IB-APTA, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI SC), bem como fiscais da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (CIDASC).
Impacto econômico
O Relatório Técnico enfatiza ainda que a bananicultura nacional é desenvolvida, principalmente, nas pequenas propriedades (um dos principais produtos da agricultura familiar) e que 99% da produção são comercializados no mercado interno. São 520 mil hectares cultivados que geram 500 mil empregos diretos e dois milhões de empregos indiretos.
O documento aponta que o Brasil já sofreu grande prejuízo com a perda dos mercados argentino, chileno e uruguaio, após a entrada da fruta equatoriana nestes países. E informa que “a atividade desenvolvida no Equador é explorada por um pool de empresas multinacionais que dominam o mercado mundial no comércio de bananas e exploram os trabalhadores rurais neste país e na América Central”.
Também lembra que os bananicultores equatorianos aplicam tecnologias adotadas pelas grandes empresas, “fruto de grandes investimentos dos governos americano e europeus”.  Além disso, “no Equador, existem incentivos e não há carga tributária, enquanto no Brasil os custos são altos e não há subsídios dos governos para desenvolver este setor”.
Outra observação é sobre “os antecedentes de fragilidade apresentados pelo Ministério da Agricultura do Equador, com a falha de fiscalização, inclusive com reincidência, durante exportação de bananas para a Argentina”.  Com isso, o Brasil poderá enfrentar problemas “com relação à introdução de produtos de qualidade alimentar duvidosa, tratados com produtos químicos não registrados para a cultura e pragas no Brasil, tanto em pré como em pós-colheita”.  E ainda existe a “falta de transparência do Governo Equatoriano com relação à legislação fitossanitária da bananicultura”.
Competitividade
O ministro Mendes Ribeiro Filho reconheceu a importância econômica da bananicultura para o Brasil. Trata-se da segunda fruta mais produzida e consumida no país cujo cultivo é de extrema importância quanto à geração de renda e emprego. Ele garantiu que, apesar das pressões, não permitirá a importação da banana equatoriana. Porém enfatizou a necessidade e a importância de o setor se organizar para se tornar competitivo em breve espaço de tempo.

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Assessoria de Comunicação da APTA
José Venâncio de Resende
(11) 5067-0424
 

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