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Baby leaf: hortaliças de pequeno porte ganham espaço na gastronomia e ajudam na alimentação saudável das crianças

Incentivar desde cedo a ingestão de hortaliças e conquistar o nicho de mercado dos chefes de cozinha e buffets. Este é o propósito de pesquisas com baby leaf – folhas de hortaliças de tamanho reduzido, devido à colheita antecipada, com tamanho entre 5 cm e 15 cm – desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC-APTA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O IAC tem estudos inéditos no Brasil no sistema de produção de baby leaf em bandejas, usadas normalmente para o cultivo de mudas destes alimentos.
O consumo de hortaliças pelos brasileiros ainda é baixo. Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de 2006 apontam que em média o consumo pela população do País é de 50 kg por habitante ao ano, 87,5% menor do que o da população dos países europeus e da América do Norte, onde o consumo chega a 400 kg por habitante no ano.
A baby leaf é obtida através da colheita antecipada – artifício no manejo da cultura – que garante os tamanhos reduzidos. “O tempo de espera da colheita varia de acordo com a espécie. No cultivo de hortaliças comuns, colhemos alface em 65 dias, desde a semeadura, e a baby leaf da alface em 40 dias, por exemplo. As folhas são macias, saborosas e podem ter cores e formatos diferentes, dependendo da espécie de hortaliça utilizada na produção”, explica o pesquisador Luis Felipe Villani Purquerio, pesquisador.
Com o tamanho reduzido, as baby leaf estão sendo introduzidas no mercado, mas já têm conquistado espaço entre os chefes de cozinha de grandes restaurantes,  buffets e hotéis que as utilizam para fazer releitura de seus pratos. O tamanho reduzido também é um incentivo para as crianças começarem a consumir vegetais, contribuindo para o aumento do consumo no País e para a redução da obesidade infantil. “No momento, as baby leaf estão em evidência. Esse nicho de mercado vem despertando interesse tanto dos produtores quanto dos consumidores, principalmente os de maior poder aquisitivo”, afirma Purquerio.
No mercado brasileiro, principalmente no Estado de São Paulo, já é possível encontrar as baby leaf nas grandes redes de supermercados. A comercialização se inicia na forma de folhas soltas de diferentes espécies acondicionadas em embalagens plásticas e comercializadas, na maioria das vezes higienizadas e prontas para o consumo. Há mais de cinco anos, os países europeus, Estados Unidos da América e Japão já produzem e consomem a baby leaf. “Isso prova que esse nicho de mercado pode não ser um modismo no Brasil”, observa o pesquisador do IAC.
Os preços pagos pelos consumidores ainda são maiores do que os das hortaliças comuns. Nos supermercados e lojas de hortigranjeiros, os consumidores paulistas pagam, em média, R$ 5 por caixeta com 120 g do mix de folhas de alface, agrião, beterraba, couve minuza e mostarda wakami. Os saquinhos contendo 120 g de folhas baby de rúcula, agrião ou alface são vendidos por cerca de R$ 3 a unidade.
Mesmo com os valores elevados, o produto começa a circular dentro dos carrinhos de supermercado e os produtores rurais iniciam o cultivo, devido ao alto valor agregado. Com o aumento da produção, os preços pagos pelos consumidores tendem a cair. “Embora sejam comercializadas por preços significativamente maiores em comparação ao de hortaliças de tamanho normal, é crescente o interesse dos produtores por esse segmento de mercado”, afirma Purquerio.
Atualmente, o sistema de produção no solo é o mais difundido no exterior, com plantio e colheita mecanizados. O grande número de sementes necessárias torna o custo de produção alto. No Brasil, o cultivo em solo não é comum, sendo o hidropônico tipo NFT (Nutrient Film Technique) em cultivo protegido uma opção. “Esse sistema também apresenta custo de instalação e manutenção alto. Dessa forma, existe a necessidade de estudos e desenvolvimento de métodos e sistemas de produção alternativos com menor custo de produção. Um desses métodos é o cultivo em bandejas, que antes eram utilizadas na produção de mudas de hortaliças. O IAC é a instituição pioneira do País a realizar estudos nessa área”, diz o pesquisador.
Os estudos do Instituto avaliaram sete diferentes volumes de bandeja – de  12,4 cm³ a 100 cm³ – e constataram que a melhor opção para os produtores são as bandejas com volume de célula de 31 cm³, dependendo da espécie cultivada. O IAC também constatou que a baby leaf de rúcula, alface, agrião e beterraba, dependendo do clima, deve ficar de 35 a 55 dias até o ponto de ser colhida. Depois disso, as folhas das plantas podem ficar muito grandes e saírem do padrão de baby leaf, além de ocorrer perda na qualidade. “Com o envelhecimento das plantas, é possível a ocorrência do pedoamento de algumas espécies com redução na qualidade da baby leaf devido ao aumento de fibras. Também ocorre alteração do sabor e as folhas ficam muito grandes”, diz Purquerio.
Diversas partes do processo produtivo estão sendo avaliadas pelo Instituto, mas os estudos ainda não foram finalizados. Com o sistema em bandejas é possível reutilizar o substrato. Acredita-se que a fibra de coco possa ser reutilizada por três ou mais vezes. Os substratos são usados para o plantio das sementes e oferecem condições químicas e físicas para o bom desenvolvimento da planta. O fardo de fibra de coco custa cerca de R$ 60. “A reutilização de substratos pode ser uma possibilidade de reduzir o custo de produção, contribuindo para a otimização do sistema, uma vez que dispensa a aquisição de novos produtos”, explica Purquerio.
Para a reutilização, é necessário, porém, que o substrato esteja livre de patógenos. “Deixar o substrato exposto ao sol, processo denominado solarização, permite que temperaturas acima de 60ºC auxiliem na eliminação de patógenos”, afirma o pesquisador do IAC. As pesquisas buscam também melhorar a colheita e a pós-colheita do sistema. “Não temos um pacote tecnológico pronto, pois o cultivo de baby leaf ainda é muito recente”, afirma.
Com a técnica, a produtividade de alface chega a 5,5 kg/m² e de rúcula a 3,8 kg/m², o que é considerado alto. O sistema de bandejas é feito dentro de estufas agrícolas, ou seja, em ambiente protegido, o que possibilita menor incidência de doenças. “Não temos definido um custo de produção de baby leaf no sistema de bandejas, pois para produção em escala ainda é necessária a pesquisa e o desenvolvimento de alguns pontos como a colheita, mas é possível afirmar que o produtor pode ter lucro, devido ao valor agregado no produto”, afirma Purquerio.
A íntegra do texto está disponível no site www.iac.sp.gov.br
Assessoria de Imprensa do IAC
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