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Australianos apostam em algodão transgênico no Brasil

Mesmo com os imbróglios jurídicos que, no Brasil, ainda travam os mecanismos de liberação comercial de organismos geneticamente modificados (OGMs), o potencial da biotecnologia e do agronegócio brasileiro chamam a atenção de produtores de outras partes do mundo. O agricultor australiano Robert Newell é um exemplo. Ele cultiva algodão transgênico há dez anos na região de Northern New South Wales – “já provamos seus benefícios econômicos e ambientais”, afirma – e agora vai apostar na cotonicultura da Bahia. À convite do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Newell vem ao País contar suas experiências durante Congresso Brasileiro do Algodão, de 13 a 17 de agosto, em Uberlândia (MG). O produtor argumenta que a Austrália (onde 95% dos agricultores cultivam variedades transgênicas) tem no algodão um dos seus maiores commodities, mas chegou ao seu pico de produtividade e expansão territorial agrária e sofre com a seca. Nesse sentido, o Brasil, que é o 5º maior exportador mundial de algodão e concorre diretamente com os australianos, tem à frente uma grande oportunidade de destravar a biotecnologia, impulsionar o agronegócio e engordar sua fatia no bolo global. “Não há dúvidas de que a transgenia é o futuro da agricultura, pois ela mudou todo o sistema agronômico de controle de insetos e ervas daninhas”, avalia Newell, que tem 100% dos seus mil hectares de terra cultivados com algodão transgênico. Os Newell chegaram à Bahia ano passado. James, filho de Robert, tem uma propriedade de 11.350 hectares, dos quais 950 hectares serão cultivados inicialmente com algodão na próxima safra. Ele escolheu o oeste baiano pelas condições climáticas altamente favoráveis à cotonicultura. “Quem abrir mão da biotecnologia será deixado pra trás, uma vez que cotonicultores australianos e brasileiros já competem no mercado internacional com países subsidiados e usuários das variedades transgênicas”, comenta. James conta que, na Austrália, o transgênico permitiu enorme avanço na qualidade de gestão administrativa e de recursos. Sua fazenda de algodão convencional exigia de 12 a 14 aplicações de defensivos agrícolas por temporada. A partir da chegada do algodão geneticamente modificado, essa necessidade caiu para apenas uma aplicação por safra. “Além da vantagem econômica, isso tornou a propriedade um ambiente mais saudável e harmonioso não só para os trabalhadores rurais, mas também para a vida selvagem e a cadeia ecológica ali existente”, afirma. Estudo reforça tendência O interesse da família Newell pelos transgênicos acompanha o apoio da população australiana aos OGMs. Segundo uma pesquisa concluída no final do julho pela Biotechnology Australia, uma agência do governo federal para informações sobre a biotecnologia, 73% da população apóia os transgênicos. Em 2005, na edição anterior da mesma pesquisa, o apoio era de menos da metade dos entrevistados: 46%. Na análise da Biotechnology Australia, o motivo para essa mudança na opinião de parte dos australianos deve-se à percepção cada vez maior do papel que os OGMs podem desempenhar na luta contra o aquecimento global. O estudo mostrou que 97% dos entrevistados acreditam que a biotecnologia pode reduzir a poluição e ajudar no desenvolvimento de combustíveis veiculares mais “amigáveis” ao meio ambiente. Além disso, 96% dos das pessoas ouvidas disseram que recursos da biotecnologia podem aumentar a eficiência da reciclagem de água; 91% concordaram que essa tecnologia ajudará a reduzir o aquecimento global; e 90% crêem que ela pode ainda combater a alta salinidade do solo australiano. O relatório completo está disponível no site www.biotechnology.gov.au/reports. Dados adicionais · De acordo com o mais recente relatório do Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA), o plantio de transgênicos no Brasil avançou 22%, de 2005 para 2006, chegando à marca de 11,5 milhões de hectares cultivados · A redução do uso de defensivos agrícolas, de 1996 a 2005, mais os fatores resultantes combinados proporcionam, juntos, a diminuição de mais de 9 milhões de toneladas de emissões de CO2 na atmosfera, o que representa retirar de circulação todos os carros da cidade de São Paulo durante um ano · Mais de 9,3 milhões ou 90% dos agricultores que cultivaram plantações GM no ano passado são pequenos produtores de países em desenvolvimento · Em 2006, a área global de plantações transgênicas cresceu 12 milhões de hectares ou 13%, atingindo 102 milhões de hectares · A quantidade de agricultores que adotaram as variedades GMs em 2006 chegou a 10,3 milhões, contra 8,5 milhões em 2005 · No ano passado, 51 países adotaram as variedades GMs: 22 países cultivaram plantações transgênicas no ano passado, enquanto outros 29 aprovaram a importação de variedades GMs para consumo humano ou animal Algodão GM cultivado no mundo Resistência a insetos - Argentina (1998), Austrália (1996), Brasil (2005), China (2002), Índia (2002), Japão (1997), México (1997), África do Sul (1997) e Estados Unidos (1995) Tolerância a herbicida sulfoniluréia - Estados Unidos (1996) Resistência a insetos e tolerância a herbicida à base de bromoxinil - Japão (1997) e Estados Unidos (1998) Tolerante a herbicida bromoxil - Japão (1997) e Estados Unidos (1994) Tolerância ao herbicida glufosinato de amônio - Austrália (2006) e Estados Unidos (2003) Tolerância ao herbicida glifosato e resistência a insetos - Austrália (2002 e Estados Unidos (2001) Tolerância ao herbicida glifosato - Argentina (1999), Austrália (2000), África do Sul (2000) e Estados Unidos (1995)
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