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Argentina: foco de aftosa deixa produtor em estado de choque

Buenos Aires, 9 - O especialista em assuntos agrícolas, Héctor Huergo, definiu como um "imenso golpe" aos pecuaristas argentinos o surgimento de um foco de aftosa no município de San Luis del Palmar, na província de Corrientes. O anúncio oficial, realizado ontem na capital argentina pelo Serviço Nacional de Sanidade Agroalimentícia (Senasa), de que havia sido detectado um foco com 70 bovinos contaminados da raça bradford, de idades entre 18 e 24 meses, causou grande preocupação no setor agropecuário, que estava se recuperando dos surtos de aftosa ocorridas nos anos 2000 e 2003. Calcula-se que 3.067 cabeças de gado correm o risco de já terem sido contaminadas. O Senasa determinou que todo o comércio de gado na região do foco será suspenso por tempo indeterminado. O anúncio do Senasa levou diversos países a informarem a proibição temporária da importação de carne bovina argentina. Entre os países que fecharam suas fronteiras estão o Brasil, o Uruguai, o Chile e Paraguai. A expectativa é que nos próximos dias diversos países europeus e asiáticos também declarem a suspensão das compras de carne argentina. Segundo Huergo, em declarações à Rádio Diez, o setor agropecuário está "em estado de choque". Huergo sustentou que a Argentina precisa "recuperar mercados e expectativas". O especialista ressaltou que para o governo do presidente Néstor Kirchner, o surgimento da aftosa, e a conseqüente queda nas exportações, é um fator favorável, já que nas últimas semanas estava tentando convencer - sem sucesso - os produtores locais a reduzirem os preços da carne para o consumo interno. O governo alega que o crescente preço da carne é um dos fatores que está provocando a alta da inflação, que em janeiro chegou a 1,3%. Com a queda inevitável que ocorrerá nas exportações, os produtores terão que destinar o produto ao mercado interno, o que levará à queda do preço. Um dos principais empresários do setor de carne, Alberto Samid, declarou que os mercados internacionais se fecharão para o produto argentino. No entanto, afirmou que "pelo menos" os pecuaristas contam com o mercado interno, "que sempre compra". Do total da produção de carne bovina argentina, 85% é consumido no mercado interno. Apenas 15% da produção era exportada.
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