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Aquecimento global: pesquisador do IEA contesta papel de vilã da agropecuária na emissão de gases efeito-estufa

“Atribuir à agricultura e à pecuária grande parcela pela emissão de gases efeito-estufa é desconhecer completamente como se processam essas atividades.” A opinião é do pesquisador Eduardo Pires Castanho Filho, do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, em artigo publicado recentemente denominado “Agricultura e aquecimento global”. 
Castanho Filho considera “no mínimo leviano” colocar os efeitos de queimadas, no mais das vezes criminosas, como emissão de gases pela pecuária. “O crescimento das pastagens e a estocagem de carbono, que é feita por elas, não são levados em consideração. O desmatamento em si não causa aumento de CO2 na atmosfera. O que o causa por um prazo um pouco mais longo é a queima do material desmatado.”
Para o pesquisador do IEA, é preciso haver mais seriedade nos estudos que são feitos e também nas suas conclusões. “As atividades agrícolas são as únicas ações humanas que captam carbono da atmosfera e o transformam em fibras, alimentos, energia, etc. Fazem o papel que os antigos fisiocratas conferiam ao setor: é o único que produz, enquanto os outros apenas transformam.”
Castanho lembra que, na reunião sobre mudanças climáticas em Köpenhagen no final de 2009, “o papel reservado à agricultura foi fundamental, seja como problema ou como solução”. Mas, para ele, a questão que vem da ECO-92 no Rio de Janeiro comporta perguntas como: É de fato um aquecimento ou um resfriamento global, como alguns postulam? O que causaria essas duas hipóteses? Qual o papel da agricultura nesse processo? Que dúvidas científicas permeiam essas discussões?
“Os dados, os modelos e as medições que serviram de base para afirmar que haveria um aquecimento causado pela ação humana foram objeto de "ajustes" revelados poucos dias antes da conferência e colocaram sob suspeição as conclusões do IPCC. Além disso, as relações entre temperatura, concentração de CO2 e mais outros gases do efeito estufa, acrescidos de vapor d’água na atmosfera, têm efeitos controversos sobre o aumento ou a redução da umidade, da pluviometria e dos níveis de absorção de radiação solar pelas diferentes coberturas da superfície da Terra (agricultura, cidades, florestas e oceanos).”
Mesmo os efeitos do desmatamento na evapotranspiração e na reflexibilidade da terra (albedo), prossegue o pesquisador, têm parâmetros muito diferentes, dependendo do estudo que é feito. Citando Lavoisier, ele conclui “que a quantidade de carbono no planeta não aumenta nem diminui: está contida no ciclo desse elemento. O que pode aumentar o seu teor na atmosfera é, por exemplo, a extração e queima de combustível fóssil - carvão, petróleo, gás, xisto -, que sai da crosta e entra na atmosfera”.
Castanho observa que há um processo de confronto da teoria com as observações, que poderá provar a falsidade da teoria em pauta. “Nesse caso, há que eliminar essa teoria que se provou falsa e procurar uma outra teoria para explicar o fenômeno em análise. Além disso, existem princípios de ordem ética, como a questão da honestidade intelectual, quando é imperativo reconhecer os erros.”
Segundo o pesquisdador, a "luta" ambientalista de vários anos foi pela sustentabilidade, apesar de utilizar-se de outros nomes. “Ela visava controle e/ou eliminação da poluição, formas limpas e renováveis de energia, padrões diferentes de comportamento e consumo, uso de tecnologias mais adequadas ao ambiente natural, preservação das variadas formas de vida, restrição ao uso de recursos naturais finitos, reciclagem, reaproveitamento, etc.”
Subitamente, prossegue Castanho, o CO2 surge como responsável pelo aquecimento e a questão do clima se transformou num poderoso catalisador da luta ambiental, arrebatando corações e mentes. Porém, transformou-se o CO2, gás responsável pela vida na Terra, em "poluição", apesar de haver dúvidas se ele é causa ou efeito de mudanças na temperatura global.
Link: íntegra do artigo “Agricultura e aquecimento global
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