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APTA Regional apresenta técnica de enxertia de maracujá e tecnologia que integra produção de peixes e hortaliças

APTA apresenta na Agrishow técnica de enxertia de maracujazeiro que previne doença causada por fungo de solo

É a primeira vez que a Agência apresenta a tecnologia na Feira

Fernanda Domiciano e Giulia Losnak (estagiária)  – Assessoria de Imprensa – APTA

Durante a 23ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow), a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Polo Regional de Adamantina, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA Regional), apresentará, pela primeira vez, a técnica de enxertia de maracujazeiro. A tecnologia ajuda a prevenir a morte prematura, doença que pode causar até 100% de perda das plantas e inviabilizar a produção em áreas contaminadas. No estande da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, os visitantes poderão ver cerca de 500 mudas de maracujá enxertadas, a serem enxertadas e em formação, aprender a técnica de enxertia do maracujazeiro e falar com os pesquisadores.
A técnica da enxertia consiste na utilização de espécies tolerantes à doença como porta-enxerto. Apesar de ser bastante usada na citricultura e viticultura, a tecnologia ainda é pouco empregada nos plantios de maracujá, pois é relativamente recente na cultura do maracujazeiro e os produtores ainda não possuem informações suficientes para a sua utilização. Os porta-enxertos são híbridos de diferentes espécies mais rústicas, com resistência a pragas, doenças e nematoides do solo. Eles servem de base para a instalação de cultivares com características desejáveis e valor comercial, que está na copa da planta e responde pela produção.
A pesquisa desenvolvida pela APTA valida à tecnologia do uso de enxertia de maracujazeiro para a prevenção da doença, que não tem tratamento. “Uma vez que a afetada pelos patógenos, a planta certamente morrerá. A aplicação de defensivos agrícolas também não tem sido uma solução eficiente. Os produtores procuram medidas de controle preventivas, entre elas, o uso da enxertia”, diz o pesquisador da APTA, José Carlos Cavichioli.
A morte prematura é atribuída à associação de fungos de solo, nematoides e bactérias, que atacam o sistema radicular e que se manifestam e dizimam rapidamente, causando a morte das plantas em plena fase produtiva. “O uso da enxertia tem sido a solução para o plantio em áreas com histórico da doença, locais em que as produções são inviabilizadas por conta dos fungos patógenos presentes no solo”, diz o pesquisador.
De acordo com Cavichioli, esta doença atinge todas as variedades comerciais de maracujazeiro azedo existente. “O que existe são algumas espécies tolerantes, como a Passiflora gibertii. É uma tecnologia de produção sustentável, sem agressão ao ambiente e que permite a convivência da cultura do maracujazeiro-amarelo em área com histórico da doença, viabilizando o cultivo em áreas antes condenadas”, diz o pesquisador.
Como resultado destas pesquisas, verificou-se que a espécie que apresentou melhor comportamento como porta-enxerto foi o Passiflora gibertii. Observou-se também que o melhor tipo de enxertia é o de garfagem do topo em fenda cheia, com pegamento de até 90%. Esta pode ser realizada quando as plantas apresentam idade por volta de 40 dias, e deve ser realizada de cinco a 10 cm da região do colo.
“Na Agrishow, nossos pesquisadores se aproximam ainda mais dos agricultores com o objetivo de transferir tecnologia para melhorar a renda e a vida no campo. O governador Geraldo Alckmin sempre nos orienta a aproximar a pesquisa do produtor rural, para melhorar a vida no campo”, afirma Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
O pesquisador alerta para que a técnica seja usada somente quando o solo for condenado e apresentar os fungos. “Em áreas com o histórico da doença, a produção de enxertado é maior, por não existir morte das plantas. Em condições normais, ou seja, em área sem histórico da doença, a produção de maracujazeiro enxertado é menor do que a sem enxerto”, diz.
Cerca de 40 produtores utilizam a tecnologia proposta pela APTA na Alta Paulista, região é responsável por 25% da produção de maracujá do Estado de São Paulo e que produz cerca de cinco mil toneladas de maracujá, por ano. “A tecnologia pode ser adotada em outras regiões do Estado e do País. A cultura do maracujá é interessante para a agricultura familiar, por oferecer o mais rápido retorno econômico, entre as frutíferas, e uma receita distribuída pela maior parte do ano”, afirma.

APTA apresenta tecnologia de produção integrada de peixes e hortaliças que pode ser usada no campo e na cidade

Aquaponia é adequada para cultivos urbanos, com a possibilidade de oferecer alimento fresco para os consumidores e restaurantes dos grandes centros

Fernanda Domiciano – Assessoria de Imprensa – APTA

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da Unidade de Pesquisa de Pirassununga, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA Regional), apresentará na Agrishow 2016 a aquaponia, sistema de produção integrada de peixes e hortaliças. Pesquisadores da APTA trabalham na introdução do sistema no Estado de São Paulo. Além de ser usada para melhorar a renda e a produção e diminuir o consumo de água no campo, as técnicas de aquaponia são ideias para quem quer produzir por meio de um novo conceito de produção de alimentos, os cultivos urbanos. A ideia é que os produtores urbanos abasteçam restaurantes e vendam aos consumidores alimentos frescos, de alta qualidade. A Agrishow será realizada de 25 a 29 de abril de 2016, em Ribeirão Preto, interior paulista.
A aquaponia é uma tecnologia que está sendo introduzida pela APTA no Estado de São Paulo. Com o sistema, é possível reduzir em até 95% a quantidade de água necessária para a produção de peixe e diminuir em 80%, ou até mesmo eliminar, o uso dos agrotóxicos aplicados nas hortaliças.
Segundo o pesquisador da APTA, Fábio Sussel, o sistema pode ser utilizado no campo e na cidade, podendo ser facilmente empregada nos grandes centros urbanos. “A oferta de alimentos frescos e de boa qualidade atende a uma demanda crescente de consumidores exigentes e donos de restaurantes, por exemplo. A forma de se produzir é a mesma. A diferença é que o produtor urbano precisará investir em tecnologia para oferecer um produto de qualidade diferenciada para este nicho de mercado”, afirma.
Para produzir nos grandes centros urbanos o produtor precisa vislumbrar uma oportunidade de mercado, como restaurantes e supermercados que querem disponibilizar um produto extremamente fresco aos consumidores. “Os peixes produzidos no sistema de aquaponia seriam muito interessantes, por exemplo, para os restaurantes japoneses”, afirma o pesquisador da APTA. Na aquaponia é possível produzir diversas espécies de peixes, como lambari, tilápia, pacu e pirarucu.
O segundo passo é pensar em um espaço adequado. “É possível produzir em galpões e até mesmo nos terraços dos prédios. Aliar a aquaponia com as tecnologias adequadas resultará em um produto diferenciado, de alto valor”, afirma Sussel. Entre as tecnologias citadas pelo pesquisador está a automação e o uso de técnicas de manejo recomendadas pela pesquisa para o cultivo de peixes e hortaliças.
A produção em grandes centros é comum em países europeus. O Brasil está começando a realizar esse tipo de sistema. Em algumas cidades, é possível encontrar mel produzido com abelhas sem ferrão, escargot e rã.
“A transferência de tecnologia, por meio de cursos e eventos, e em especial a Agrishow, é fundamental para melhorar a produção dos produtores rurais, aumentando a renda e diminuindo os custos de produção, uma orientação do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin”, afirma Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
Entenda como funciona a aquaponia
No sistema aquapônico é possível produzir qualquer hortaliça de fruta ou folhas, além de outras espécies de plantas de valor econômico, como plantas aromáticas e medicinais. “Não há restrição quanto às espécies de peixes, desde que sejam adaptadas a condições de confinamento, como as trutas e as tilápias”, explica Fernando André Salles, pesquisador da APTA.
A ideia dos pesquisadores da Agência é introduzir o sistema em São Paulo, por ser um Estado bastante populoso e possuir demanda crescente por alimentos e por água. A tecnologia é utilizada em países como Estados Unidos, Canadá e Austrália. “A agricultura é uma atividade extremamente dependente de água para conseguir adequada produtividade de alimentos, o que acaba competindo com recursos hídricos com a população urbana. Qualquer técnica que consiga reduzir a quantidade de água na produção de alimentos é extremamente bem-vinda”, afirma Salles. O uso de lambari para o sistema também é interessante, já que 70% da produção nacional deste peixe abastecem o mercado paulista. O lambari é usado, principalmente, como isca viva na pesca esportiva.
O novo conceito de produção agrupa todas as vantagens da produção intensiva de lambari com a hidroponia, em que as plantas não têm contato com o solo e são cultivadas em água e/ou substrato, dentro de estufas. Neste ambiente, há diminuição na ocorrência de pragas e doenças e proteção de intempéries climáticas e ataques de aves. Os resultados são plantas com melhor qualidade e redução de até 80% no uso de agrotóxicos. Em alguns casos, o controle químico é totalmente dispensado.
A principal diferença entre o uso de lambari e de outros peixes é o tempo  necessário para atingir tamanho comercial. O lambari precisa de três a quatro meses, enquanto espécies como a tilápia, precisam de oito meses. “O resultado, em termos de produção, é a possibilidade de ter maior número de ciclos ao longo do ano”, afirma o pesquisador da APTA, Fábio Sussel.
O pesquisador explica que a proteína presente na ração é metabolizada para formação do tecido muscular do peixe, porém, parte é excretada diretamente pelas brânquias dos animais na forma de amônia ou é perdida por meio das fezes. A amônia, mesmo em baixas concentrações, é tóxica para o peixe. “No sistema de produção aquapônica, a amônia presente na água passa por um filtro biológico onde ocorre a nitrificação, transformando-a em nitritos e em nitratos, este último produto, de baixa toxicidade para os peixes, é prontamente absorvido pelas plantas na produção hidropônica”, explica.
Além dos nitratos, a mineralização dos dejetos dos peixes fornece às plantas boa parte dos elementos necessários ao crescimento, como o fósforo, cálcio e ferro, entre outros. Com isso, não há a necessidade do uso intensivo de fertilizantes químicos.
A tecnologia pode ser utilizada por pequenos, médios e grandes produtores. Os pesquisadores da APTA trabalham em conjunto com técnicos de extensão da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) para fomentar e divulgar os resultados das pesquisas, que devem começar a ser disponibilizados em dois anos.

Contatos durante a Agrishow
Na Feira:
Fernanda Domiciano
19 – 99269-9138/ 16 - 3911-9126
imprensa@apta.sp.gov.br
Em Campinas: Giulia Losnak
infoapta@apta.sp.gov.br
19 – 2137-8933

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