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APTA realiza evento para integrar cadeia produtiva da piscicultura no Vale do Ribeira

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Polo Regional de Pariquera-Açu da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), realizou evento para integrar a cadeia produtiva da piscicultura da Região do Vale do Ribeira. O I Encontro Regional de Piscicultores do Vale do Ribeira, realizado em 22 de setembro de 2016, reuniu 208 piscicultores, agricultores famílias, técnicos da extensão rural e estudantes que participaram de palestras e atividades de campo, em cinco tendas que apresentaram dicas de manejo alimentar, tecnologias aquícolas, controle ambiental na piscicultura, pescado: do abate ao consumo e planejamento e legalização da piscicultura.
Além dos produtores do Vale do Ribeira, o encontro reuniu interessados de Sorocaba, Juquitiba, Mongaguá, Peruíbe, São Paulo, Guarulhos, Piedade, Ribeirão Preto, São Bernardo do Campo, Campinas, Itapetininga, Mirassol, Itapecerica da Serra, São Lourenço da Serra, Taboão da Serra, Sumaré, em São Paulo. Também estiveram presentes produtores de Palmas, em Tocantins, Pinheiral, no Rio de Janeiro e da Colômbia.
A pesquisadora do polo regional da APTA, Camila Fernandes Corrêa coordenou, em conjunto com o professor e pesquisador da Universidade Estadual “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Eduardo Antonio Sanches, uma tenda temática sobre o manejo alimentar na piscicultura. O espaço contou com uma aula dinâmica, em que foram apresentadas diversas dicas com materiais demonstrativos como rações e outros ingredientes.
De acordo com Camila, a alimentação é um dos principais componentes no custo de produção de peixes e é de extrema importância que o produtor saiba escolher a ração mais adequada para a sua criação. “Para uma boa alimentação dos peixes, o produtor precisa conhecer o hábito alimentar e comportamento da espécie que produz. É necessário tomar cuidado com o ambiente em que ficam os peixes, controlando as condições e temperatura da água, para então escolher a ração adequada para o seu sistema de produção”, explicou a pesquisadora.
Para escolher a ração ideal, o produtor precisa, primeiro, entender o seu sistema de produção e em seguida, qual ração é a mais indicada. “É necessário saber qual tipo de ração é a melhor, a peletizada, que é densa e afunda, ou a extrusada, que é menos densa e flutua. O produtor também precisa estar atento ao tamanho da ração (granulometria), que varia de acordo com o tamanho dos peixes, os nutrientes que cada espécie precisa, em cada fase, entre outros parâmetros”, afirmou Camila.
Depois de o alimento ser escolhido e utilizado, é necessário fazer uma avaliação do desempenho dos peixes com a dieta. Segundo a pesquisadora, esta é a parte mais importante do manejo alimentar. “Com isso, o produtor pode examinar se os gastos com determinada ração estão compensando, ou se é melhor investir em outra”, disse.
Para ajudar na tomada de decisões, o produtor deve calcular quanto de ração se transformou em peso de peixe por meio da conversão alimentar. Para isso, é feito o cálculo do ganho de biomassa, subtraindo o valor do peso inicial dos peixes do viveiro do valor do peso final. Depois, é preciso dividir a quantidade de alimento fornecido aos peixes pelo ganho de biomassa deles, o que resultará na conversão alimentar.
Para avaliar os resultados de produção, além da conversão alimentar, o piscicultor pode analisar a velocidade de crescimento dos peixes, a sobrevivência, que está relacionada à sua saúde, e a qualidade da água, no qual se enquadra parâmetros de temperatura, transparência, pH, oxigênio, alcalinidade, entre outros.
De acordo com Camila, fazendo todas essas avaliações, o produtor consegue decidir se algum resultado ruim na produção foi motivado pelo alimento ou pelo manejo. “É necessário fazer um histórico para avaliar o que já ocorreu e o que está acontecendo, para o produtor decidir o que será feito no próximo ciclo para a obtenção de lucro”, explicou.
Controle ambiental na piscicultura
Durante o evento, o pesquisador da APTA, Antonio Fernando Leonardo, abordou o tema da sobrevivência dos peixes no estande do controle ambiental da piscicultura. “A região do Vale do Ribeira possui altos índices de predação de peixes em viveiros escavados e isso pode influenciar diretamente a produção final dos piscicultores”, disse.
Leonardo explicou que o Vale do Ribeira concentra a maior área contínua da Mata Atlântica do País, a presença de aves e mamíferos voadores e aquáticos próximos aos viveiros é constante e, por conta da predação destes animais, a taxa de sobrevivência dos peixes é diretamente afetada.
Entre os ataques mais comuns estão os de aves de hábito diurno e noturno, lontras, que atacam durante a noite, e traíras. “O que diferencia a forma de predação são os ataques e a classe do reino animal à qual o predador pertence. Para cada um, encontramos uma maneira de dificultar a predação e diminuir os ataques”, disse o pesquisador.
De acordo com Leonardo, as maneiras encontradas para evitar os ataques destes predadores foram à utilização de telas anti pássaros e a aquisição de dois cachorros, para dificultar o ataque das lontras, pois elas se afastam com o cheiro dos cachorros. Nos viveiros escavados, quando esgotados, é necessário evitar poças de água, pois nelas podem conter ovos de traíras ou outras espécies, assim se inicia um novo ciclo com viveiro sem predadores.
Além da explicação desses métodos, o estande contou com dinâmicas de calagem, adubação, instalação das redes e apresentação da técnica de controle biológico.
Redução da quantidade de água na produção
No estande de tecnologias aquícolas, o pesquisador da APT|A, Fernando André Salles, apresentou o projeto de aquaponia, introduzido pela Agência em São Paulo. O sistema visa a produção em conjunto de hortaliças e peixes, por meio de um sistema de recirculação da água. Com a tecnologia é possível reduzir em até 95% a quantidade de água necessária para a produção de peixe e diminuir em 80% o uso de agrotóxicos aplicados nas hortaliças.
O projeto consiste em utilizar os resíduos do sistema de produção do lambari para o cultivo hidropônico, em que as plantas não têm contato com o solo e são cultivadas em água e/ou substrato, diminuindo a ocorrência de pragas e doenças. “Na aquaponia, não há necessidade de renovação de água, pois as plantas capturam o excesso de nutrientes. A perda de água dentro de um sistema aquapônico em condições normais se dá unicamente por evaporação e transpiração das plantas. A intensidade da perda varia conforme o microclima onde o cultivo está instalado”, afirmou o pesquisador.
A tecnologia que pode ser utilizada por pequenos, médios e grandes produtores, consegue ser adaptada de acordo com as preferências do produtor. “No sistema aquapônico, é possível produzir qualquer hortaliça de fruta ou folhas, além de outras espécies de plantas de valor econômico, como plantas aromáticas e medicinais. Quanto às espécies de peixes, não há restrição alguma, desde que sejam adaptadas a condições de confinamento, como trutas, tilápias e lambaris”, diz Salles.
O público do evento poderá ver um sistema aquapônico demonstrativo, com finalidade didática. Os participantes terão a oportunidade de vivenciar, na prática, o funcionamento da integração entre a produção de lambarias e hortaliças e plantas aromáticas.
De acordo com o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, o evento foi importante para transferir tecnologias e conhecimentos para os produtores rurais. “Umas das diretrizes do governador Geraldo Alckmin é diminuirmos a distância entre a pesquisa e o produtor, principalmente os pequenos”, afirma.
O I Encontro Regional de Piscicultores do Vale do Ribeira foi realizado pela Apta e contou com parceria do Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR) de Registro, da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), do Campus de Registro da Unesp e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural.
 Por Giulia Losnak (estagiária) e Fernanda Domiciano
Assessoria de Imprensa – APTA
(19) 2137-8933

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