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APTA realiza 6.º Ciclo de Palestra de Fitossanidade e apresenta técnica de cultivo de maracujá que diminui em até 90% a aplicação de defensivos agrícolas

A produção anual de maracujá do Estado de São Paulo não consegue atender sua demanda, sendo necessária a importação dos frutos de outros Estados brasileiros. A baixa produção de São Paulo é decorrente, principalmente, da ocorrência do vírus CABMV (Cowpea Alphid-borne Virus), responsável pela redução da produção no Estado. Para viabilizar o cultivo do maracujá, a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), por meio dos Polos do Vale do Ribeira e Alta Sorocabana/APTA Regional, tem recomendado a tecnologia de plantio de mudas altas de maracujá. Com a tecnologia, é possível manter a produtividade do maracujá e reduzir em até 90% a aplicação de defensivos agrícolas na fase inicial da cultura. Para difundir a técnicas aos produtores rurais antes deles prepararem as mudas para a safra de 2012, a APTA em parceria com o Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, realiza em 1º de março, o "6º Ciclo de Palestras de Fitossanidade: Atualização do cultivo do Maracujazeiro no Vale do Ribeira", em Pariquera-Açú, São Paulo. No dia 8 de março, acontece também, em Presidente Prudente, o VI Ciclo de Palestras de Fitossanidade. No segundo evento será discutido, além do plantio de mudas altas de maracujá, a técnica de enxertia de mudas de maracujá para a não ocorrência da fusarium – doença do solo responsável pela de morte precoce da planta.

De acordo com o pesquisador da APTA, Nobuyoshi Narita, no sistema de produção desenvolvido pela Agência, as mudas de maracujá ficam em viveiros em condições protegidas nos meses de ocorrência das viroses e vão para o campo com tamanhos maiores para viabilizar a colheita em fevereiro. No sistema tradicional, as mudas vão para o campo com cerca de 25 a 30 cm em março e abril. Este período coincide com o de produção da safra anterior do maracujá. No sistema de produção em viveiros protegidos, as mudas são plantadas com mais de 1,5 m, em agosto, após a colheita e eliminação da cultura anterior. Os vírus (Passionfruit Woodness Virus) PWV e o CABMV são encontrados em todo o Brasil e tem alta capacidade de dispersão.

"Com o novo sistema, quando a muda for para o campo, o período de contaminação já vai ter passado e ela já vai estar grande para poder ser colhida de dezembro a março, época em que o maracujá está com preço alto para o produtor rural", explica o pesquisador da APTA, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Com a tecnologia, é possível manter a produtividade do maracujá, o que significa aumento da produção quando comparado com a produtividade de plantas infectadas pelo vírus. "No sistema tradicional, as plantas são infectadas precocemente o que resulta em queda de produtividade e qualidade, redundando em menor produção e preço, devido à qualidade inferior. No novo sistema, as mudas ficam no viveiro nos meses do pico de disseminação do vetor da virose e a aplicação de defensivos é quase zero na fase inicial da cultura", afirma Narita.

No evento, que será realizado em 1º de março, os produtores de maracujá da região do Vale do Ribeira poderão ter mais informações sobre a tecnologia desenvolvida pela APTA para produzirem as mudas de maracujá em viveiro. A ideia é incentivar a adoção da técnica pelos produtores do Vale do Ribeira – região que já foi grande produtora de maracujá e teve seu cultivo diminuído desde 1995, em função da entrada da virose no Estado.

"Ainda não há variedades de maracujá resistentes a essa doença. O que existe é um controle e melhor convivência com esses vírus. É o mesmo caso do mosquito da dengue, por exemplo. Nós não conseguimos acabar com ele, mas podemos tomar alguns cuidados para evitar a transmissão da doença", explica Narita.

Na região do Pontal dos Paranapanema, os produtores tradicionais e assentados já estão colocando em prática as informações fornecidas pelo Polo Alta Sorocaba. Desde 2007 eles recebem informações dos pesquisadores da APTA para melhorar o cultivo. "Depois que começamos o projeto ‘Produção sustentável de maracujá por agricultores familiares no Pontal do Paranapanema’, houve aumento do interesse pela cultura na região. A quantidade de plantas aumentou de 20 mil em 2009 para cerca de 40 mil, nas quais 25 mil plantas cultivadas no sistema de produção de mudas altas em condição protegida", conta Narita. A previsão é que em cinco anos o Pontal do Paranapanema se torne uma das principais regiões produtoras de maracujá no Estado de São Paulo.

O objetivo do evento é transferir informações para que os agricultores produzam em suas fazendas as mudas de maracujá em viveiros cobertos com plástico e tela anti-anfídeos. "Os viveiros precisam ser fechados nas laterais e cobertos. O material utilizado é o plástico comum, próprio para estufas, como aqueles usados para cultivo de flores", explica Narita.

De acordo com o pesquisador da APTA, o investimento é de cerca de R$ 70,00 por metro quadrado e o viveiro pode ser utilizado por até três anos. "O investimento é logo recuperado com a maior produção e diminuição no uso de defensivos agrícolas", afirma.

Outra recomendação que será dada durante o 6º Ciclo de Palestras de Fitossanidade é em relação à eliminação das plantas de maracujá anualmente. Segundo o pesquisador da APTA, Erval Rafael Damatto Junior, a cultura do maracujá é tradicionalmente cultivada por dois ou três ciclos, mas em função das viroses, as plantas não chegam a produzir o segundo ciclo. "Os produtores estão acostumados a cultivar mais de uma safra por planta. No fim da primeira safra, as plantas ainda têm folhas e visualmente nota-se que pode haver mais uma produção no ano seguinte. No entanto, a planta já está infectada e não tem capacidade de produzir novamente. Além disso, ela vai servir como inóculo para contaminar as novas mudas", explica.

Para melhor resultado da técnica de cultivo de maracujá desenvolvida pela APTA, o produtor é incentivado a diminuir o espaçamento entre as plantas. Geralmente o espaçamento utilizado na cultura de maracujá chegava a 8 metros. Com a nova técnica e o cultivo anual, houve a necessidade de reduzir o espaço, sendo possível pensar em espaçamentos de 1,5 m. "Com o espaçamento reduzido, o número de plantas por área aumenta e o maracujazeiro tem maior aproveitamento da espaldeira e melhor captação dos raios solares, resultando em maior produção de frutos por área", explica Dematto Junior.

A espaldeira é o sistema de manejo empregado para o cultivo do maracujazeiro, onde as plantas são conduzidas até um fio de arame que está esticado entre dois mourões, sendo este fio colocado com até dois metros de altura do solo. "O melhor aproveitamento ocorre em função da maior exposição das folhas ao sol. Quanto mais exposta aos raios solares, maior a fotossíntese realizada pela planta, portanto, maior produção de fotoassimilados, que resulta em energia para a planta e aumenta a produção", afirma Dematto Junior.

Doença do solo

O fusarium também é um dos responsáveis pela diminuição do interesse dos produtores de maracujá na região do Pontal do Paranapanema no cultivo da fruta. A doença do solo faz com que a planta morra precocemente. Não há defensivos agrícolas que controle a doença. De acordo com Narita, a alternativa é que o produtor rural faça a enxertia de mudas de maracujá.

"No evento do dia 8 de março vamos passar mais informações aos produtores para fazer a enxertia das plantas sadias no maracujá. Essa é uma tecnologia já bastante difundida na região, mas temos que continuar passando informações e atualizar os produtores de novas técnicas. Nosso objetivo é fazer com que os produtores produzam mudas de maracujá enxertadas dentro dos viveiros e as coloque no campo com 1,5 m de altura. Dessa forma ele poderá produzir sem se preocupar com o fusarium e as viroses", afirma Narita.

A doença do solo é bastante comum na região do Pontal do Paranapanema, mas não ocorre em todas as regiões do Vale do Ribeira.

Produção paulista

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2009, São Paulo é o sétimo produtor brasileiro de maracujá, com área colhida de 1.563 hectares, produção de 22.432 toneladas e produtividade média de 14,35 toneladas por hectare. O maior produtor brasileiro é a Bahia, com 322.755 toneladas, seguido do Ceará, Sergipe, Espírito Santo, Minas Gerais e Pará.

Atualmente, a produção de maracujá amarelo na região do Vale do Ribeira é de 12 a 15 toneladas por hectare, havendo potencial, segundo Dematto Junior, para produção de 30 a 35 toneladas por hectare. O Vale do Ribeira obteve a quarta colocação entre as melhores médias de produtividade por ano no Estado de São Paulo, no período de 2006 a 2009, com produtividade média de 17 toneladas por hectare.

"Para atingir o potencial de produção de 35 toneladas por hectare, é primordial que os produtores adotem mais cuidados com a cultura, iniciando o cultivo com bom planejamento, análise de solo para correta recomendação de calagem e adubação e controle de pragas e doenças no momento certo. Esses seriam fatores básicos que já ajudariam muito no aumento da produção", explica Dematto Junior.

Serviço

6º Ciclo de Palestras de Fitossanidade: Atualização no Cultivo do Maracujazeiro no Vale do Ribeira

Data: 01/03/2012

Horário: 8h

Local: APTA Regional do Vale do Ribeira - (BR 116, km 460 -Pariquera-Açú/SP)

Programação

8:00-8:30 = Inscrições, entrega de material e café da manhã

8:30-9:00 = Cerimonial de abertura (Luis Alberto Saes, Diretor APTA Regional Vale do Ribeira e Margarida Fumiko Ito, Diretora Centro de Fitossanidade - IAC)

9:00-10:00 = Mercado e flutuação de preços do maracujá (Hélio Satoshi Watanabe, CEAGESP – São Paulo)

10:00-11:00 = Seleção de variedades de maracujá para o Vale do Ribeira (Laura Maria Molina Meletti, IAC - Campinas)

11:00-12:00 = Panorama da virose do maracujazeiro e implicações em seu cultivo (Valdir Atsushi Yuki, IAC - Campinas)

12:00-12:15 = Associação dos Engenheiros e Agrônomos do Vale do Ribeira (José Roberto Satto, Presidente da AEAVR)

12:15-12:30 = Divulgação Técnica (IHARA)

12:30-14:00 = Intervalo para almoço

14:00-15:30 = Sistema de produção do maracujazeiro empregando mudas altas (Nobuyoshi Narita, APTA Regional Alta Sorocabana)

15:30-15:45 = Intervalo para café

15:45-16:00 = Propostas e pesquisas para a cultura do maracujá no Vale do Ribeira (Erval Rafael Damatto Junior, APTA Regional Vale do Ribeira)

16:00-17:00 = Formalização do produtor rural (Fabio Emmanuel Braz Brass, Consultor – SEBRAE-SP)

17:00 = Encerramento do evento

VI Ciclo de Palestra de Fitossanidade

Data: 08/03/2011

Horário: 8h

Local: Auditório "Anwar Dahma" Cidade da Criança – Rod. Raposo Tavares Km 561, Presidente Prudente

Programação

8:00 – 9:00 - Inscrição.

9:00 – 9:30 - Abertura: Dr. Nobuyoshi Narita – APTA Regional Alta Sorocabana.

Dra. Margarida Fumiko Ito, Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Fitossanidade – IAC/APTA.

9:30 – 10:30 - Palestra: Porta enxertos para o maracujá e comportamento em relação às doenças de Solo. Dr. José Carlos Cavichiolli – APTA RegionalAlta Paulista.

10:30-11:00 – Intevalo.

11:00 –12:00 Palestra: Manejo de viroses do maracujazeiro: A Teoria. Dr. Valdir Atsushi Yuki – APTA/IAC – Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Fitossanidade.

12:00-13:30 – Almoço.

13:30- 14:30 - Palestra: Variação estacional de preços e perspectivas futuras. Dr. Gabriel Bittencourt de Almeida. Centro de Qualidade em Horticultura/ CEAGESP.

14:30 –15:00 - Espaço empresa.

15:00 -15:30 - Intervalo.

15:30 –16:30 Manejo de viroses do maracujazeiro: A Prática . Dr. Nobuyoshi Narita – APTA Regional Alta Sorocabana.

16:30 – Encerramento.

Texto

Fernanda Domiciano - estagiária - Assessoria de Imprensa - APTA

(19) 2137-0616/ 613

Assessoria de Comunicação da Apta

José Venâncio de Resende

Eliane Christina da Silva (estagiária - atendimento)

(11) 5067-0424

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