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APTA desenvolve parâmetros para a produção de rações para peixes e ovinos comercializadas por cooperativa paulista

Os pesquisadores da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que atuam na Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), desenvolveram os parâmetros para a produção das rações para alimentação de tilápias e ovinos comercializadas pela Coopermota - Cooperativa Agroindustrial, possibilitando a expansão dos negócios de produtores do Médio Paranapanema, interior paulista. Cerca de seis mil toneladas dos produtos são comercializadas anualmente.  
De acordo com o médico veterinário, gerente de produção de ração da Coopermota, José Antônio Pereira, os pesquisadores da APTA ajudaram a definir todos os parâmetros dos produtos e possibilitaram o desenvolvimento de rações de melhor qualidade, com ganhos na produção de peixes e ovinos.
A ração para peixes comercializada pela Coopermota desde 2013 é utilizada, principalmente, para a produção em tanque-rede de tilápia, o mais produzido pelos piscicultores da região do Médio Paranapanema. A produção da ração é de cinco a seis mil toneladas, por ano.
Já as rações usadas na dieta dos ovinos têm como diferencial o ganho de peso, maior rendimento de carcaça e espessura de gordura subcutânea de distribuição uniforme, o que proporciona menor perda de água no resfriamento e congelamento, conferindo maior suculência e maciez ao produto final.
Com essa alimentação balanceada, é possível abater os animais em 120 dias, frente aos 180 usuais. “Essa redução de 60 dias no abate diminui os custos de produção e disponibiliza aos consumidores uma carne de melhor qualidade”, afirma Pereira. O produto está no mercado há cinco anos, com produção anual de 250 toneladas.
Para o secretário de Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim, essa interação entre a pesquisa e o setor de produção é importante para o sucesso do agronegócio. “Uma das diretrizes do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, é que aproximemos as pesquisas do produtor e do setor produtivo. Isso é fundamental para melhorarmos a produção e a rentabilidade dos produtores”, afirmou.
Ração para peixes
A ração é um dos principais fatores que influenciam a produtividade na piscicultura. Por isso, saber se o produto utilizado tem boa qualidade é essencial para o piscicultor. Pensando nisso, o Instituto de Pesca realizou o projeto “Avaliação de Formulação de Rações”, em que mediu a eficiência do produto comercializado pela Coopermota, para a criação intensiva de tilápias em tanques-rede, no interior de São Paulo.
De acordo com a pesquisadora do IP, Daercy Maria Monteiro de Rezende Ayroza, colaboradora no projeto, o estudo foi dividido em dois experimentos. O primeiro avaliou a eficácia da ração na fase de crescimento dos peixes e o segundo mediu seu efeito na chamada “fase de terminação da criação”. “Isso nos permitiu avaliar como os peixes respondiam à ração em todas as fases de criação: a inicial, chamada alevinagem, de crescimento, de engorda ou terminação e de manutenção”, explicou a pesquisadora.
Além dessas variantes, a pesquisa também avaliou o rendimento do filé e a proporção da gordura visceral dos peixes utilizados no experimento, ao final da fase de crescimento.
Os experimentos foram conduzidos na Piscicultura Fernandes, no reservatório Canoas II, situado no município de Palmital, no rio Paranapanema. Para isso, foram utilizados 12 tanques-rede de 1 m³, com peixes na densidade de estocagem de 150 por m³.
De acordo com a pesquisadora do IP, ao final de 90 dias de estudos foi possível constatar que a eficiência para o desempenho produtivo da ração da cooperativa foi similar ao de rações comerciais testadas anteriormente. “Na fase de crescimento, o peso médio dos peixes ficou em 449 gramas, enquanto na fase de terminação chegou a 900 gramas. Ao avaliar todos os índices, percebemos que eles se mantiveram dentro dos padrões observados em campo por outros piscicultores e registrados na literatura”, concluiu a pesquisadora.
Ração para ovinos
A ração Dieta Total Ovinos – Confinamento, desenvolvida pelo Polo Regional de Assis da APTA Regional e comercializada pela Coopermota, tem como vantagem a antecipação do abate dos cordeiros.
Normalmente, o abate dos animais criados a pasto ocorre aos 180 dias. Com o uso da ração, esse tempo diminui para 120 a 130 dias, após o nascimento. “Quando o cordeiro atinge a idade de reprodução sexual, sua carne fica com odor mais forte. Antecipar a idade do abate é desejável para acelerar a obtenção de renda aos produtores e disponibilizar aos consumidores uma carne mais tenra, macia, com sabor e odor agradáveis”, afirmou Márcia Marise de Freitas Cação Rodrigues, pesquisadora do polo regional da APTA, uma das responsáveis pelo desenvolvimento do produto.
Márcia explicou que a ração é composta por até 15% de volumoso e 85% de concentrado, formulação diferente da maioria das rações para ovinos, formadas por 40% de volumoso e 60% de concentrado. “Essa formulação pode permitir um ganho de peso de 300 a 400 gramas, por dia, enquanto os animais alimentados pelas outras rações ganham cerca de 200 a 250 gramas. A utilização de maior proporção de concentrado encarece o produto, porém, a antecipação do abate e a produção de carne de melhor qualidade organoléptica, aumentando o valor agregado do produto, compensam o investimento”, disse.
As pesquisas para o desenvolvimento do produto começaram em 2008. Sua qualidade pode ser comprovada pelo Campeonato Cordeiro Paulista (CCP), realizado anualmente pela Associação Paulista de Criadores de Ovinos e a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), desde 2002.
Os animais que participam do Campeonato são alimentados por 60 dias, aproximadamente, com a ração Dieta Total Ovinos – Confinamento. Ao final do concurso, os animais são avaliados quanto ao ganho de peso obtido e a qualidade da carcaça. Em 2015, participaram 120 cordeiros, divididos em 30 lotes, pertencentes a 22 produtores de todas as regiões paulistas.
De acordo com a pesquisadora do polo regional da APTA, a ração da Coopermota tem sido utilizada para a engorda dos cordeiros no Campeonato Paulista desde 2011 e além dos excelentes ganhos de peso obtidos, não têm sido observados animais com desordens metabólicas ou problemas nutricionais. “O produto foi formulado a partir das exigências em energia e proteína dos animais para atender aos níveis de fibra efetiva, carboidrato solúvel (amido), nitrogênio não proteico e proteína degradável e não degradável no rúmen. Também foram considerados os minerais e vitaminas essenciais”.
Por Fernanda Domiciano e Leonardo Chagas
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