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Aplicadores de agrotóxicos são capacitados pelo Programa Aplique Bem do IAC

Com o objetivo de reduzir custos de produção e impactos ao ambiente e à saúde do trabalhador, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, desenvolve, desde 2007, o Programa Aplique Bem, direcionado ao treinamento prático de aplicadores e à avaliação de equipamentos e da pulverização. Toda a atividade, feita diretamente na propriedade agrícola, resulta de parceria com a empresa Arysta LifeScience. Em oito anos, cerca de 45 mil trabalhadores já foram treinados, em 22 Estados e 708 municípios.

Segundo o pesquisador do IAC e responsável pelo projeto, Hamilton Humberto Ramos, a carência de informação dos agricultores pode contribuir para os prejuízos à economia, à saúde e ao ambiente. Para se ter ideia, os gastos com aplicação de defensivos para produção de tomate, por exemplo, somam cerca de 60% dos custos totais de produção. Essas despesas poderiam ser reduzidas à metade, com adoção da tecnologia eficaz.

Os altos valores de produção afetam os bolsos dos agricultores, que gastam mais para produzir, e também dos consumidores, que pagam mais pelos produtos no supermercado. “A Secretaria de Agricultura tem empenhado esforços para transferir tecnologias e contribuir para reduzir esses impactos, conforme orientação do governador Geraldo Alckmin. Neste caso há outro componente importantíssimo, que é a saúde das pessoas que aplicam os defensivos”, afirma o Secretário de Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim.

Os danos à saúde constituem sério problema causado pelo inadequado controle químico de pragas e doenças. Dentre os trabalhadores, a contaminação pode se estender até os familiares, por não se higienizarem de maneira adequada após o trabalho no campo. Para demonstrar essa falha, a equipe do Aplique Bem recorre à luz ultravioleta para mostrar aos participantes que a maneira como estão acostumados a lavar as mãos, por exemplo, é ineficaz. “Nós simulamos uma contaminação e pedimos que eles lavem as mãos, como sempre fazem. A surpresa é geral quando eles descobrem que os produtos permanecem no corpo, ou seja, aquela limpeza que eles acreditavam ser suficiente, geralmente não é”, explica Ramos.

O interesse dos participantes em mudar seus antigos hábitos depois do treinamento demonstra que os equívocos na aplicação de agrotóxicos decorrem principalmente da falta de informação. Segundo o pesquisador do IAC, após a ação do Aplique Bem se observou, em algumas regiões, o aumento da venda de equipamentos de proteção individual. “Os agricultores visitados se mostraram dispostos a mudar o comportamento depois que mostramos os benefícios da prática correta”, diz Ramos.

Referência para fabricantes

As informações coletadas em mais de 700 pulverizadores avaliados durante os treinamentos do Aplique Bem foram organizadas em um banco de dados. Inédito no Brasil, o banco, além de servir aos técnicos do Aplique Bem para a otimização dos treinamentos, é importante referência para as empresas fabricantes de pulverizadores e para aqueles que trabalham com segurança na aplicação. “A análise dessas informações viabiliza o conhecimento sobre as causas dos problemas das máquinas e auxilia as indústrias no planejamento das correções, caso o diagnóstico aponte para as etapas de projeto ou fabricação de equipamentos”, afirma o pesquisador do IAC.

Os dados podem ser analisados por tipo de pulverizador e por marca, por região e por tamanho da propriedade agrícola, além de informações sobre desgaste de pontas, de barras e outros componentes. “Ele é constantemente atualizado pelos técnicos do Aplique Bem, que a cada treinamento geram relatórios que servem para alimentar o banco de dados”, explica Ramos.

Em 2014 o sistema de avaliação dos pulverizadores está sendo aperfeiçoado. Toda a avaliação de pulverizadores em uso e o banco de dados atendem às especificações de qualidade constantes da norma europeia BS EN 13790. No entanto, já está em discussão uma norma internacional, a ISO 16122, que passará a ter uso mundial. Por isso, os padrões de qualidade do Aplique Bem foram alterados para atender também a esta norma, fazendo com que o Brasil, além de poder propor possíveis alterações antes da sua publicação, esteja preparado para adotá-la de imediato.

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