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Agrotóxicos: Biológico avalia potencial de impacto no meio ambiente e nos alimentos

O efeito provável de um agrotóxico sobre a qualidade da água - que classifica o risco relativo de os agrotóxicos atingirem as águas de superfície ou subterrâneas - e o possível impacto sobre um grande número de organismos são calculados pelo modelo computacional Pesticide Impact Rating Index (PIRI) utilizado atualmente pelo Laboratório de Ecologia de Agroquímicos do Instituto Biológico (IB-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de Paulo. O PIRI é uma forma de selecionar os princípios ativos utilizados em determinados cultivos, que devem ser incluídos nos programas de monitoramento do ambiente agrícola.
Nesse modelo, são consideradas as características físico-químicas dos agrotóxicos, bem como as condições edafoclimáticas (de solo e clima) do local de aplicação e a forma, dose e frequência de aplicação desses compostos, dizem as pesquisadoras Deise Helena Baggio Ribeiro e Eliane Vieira, do Centro de P&D de Proteção Ambiental do IB. “Por isso, ele permite avaliar o potencial de transporte do agrotóxico para além da área de aplicação e o risco de contaminação associado a este transporte.”
Para classificar os agrotóxicos em função do risco de contaminar águas superficiais e subterrâneas e de promover efeitos deletérios em organismos não-alvos, o PIRI considera as condições do local (tipo, textura e conteúdo de matéria orgânica do solo, declividade do terreno, perda por erosão, distância do local de aplicação ao corpo hídrico, profundidade do corpo hídrico); os dados climáticos (temperatura e pluviosidade); os parâmetros relacionados à tecnologia de aplicação (forma, período e frequência de aplicação) e as características físico-químicas dos pesticidas.
Entre as aplicações do PIRI citadas pelas pesquisadoras, estão o fornecimento de classificação relativa dos diferentes agrotóxicos utilizados em determinada área em relação ao seu potencial de contaminação de águas subterrâneas ou superficiais; o desenvolvimento de programa de monitoramento; a identificação dos agrotóxicos que necessitam de melhor gerenciamento, para minimizar seus impactos na qualidade da água; a identificação de janelas seguras para a pulverização de agrotóxicos; a avaliação dos diferentes usos do solo em uma bacia/sub-bacia hidrográfica sobre seu impacto em relação à qualidade da água; e a comunicação do perfil de risco de agrotóxicos para os diferentes níveis tróficos em um ecossistema.
Nove dicas
Já o pesquisador Sérgio Henrique Monteiro, da mesma unidade do IB, apresenta nove dicas para proteger as famílias dos agrotóxicos nos alimentos. São elas:
- Lavar e enxaguar bem as frutas, verduras e legumes com água, o que irá remover muitos dos agrotóxicos superficiais. O uso de bucha macia e detergente removerá ainda mais esses resíduos. “Infelizmente, nem sempre uma lavagem irá remover todo o resíduo superficial e isto não removerá os resíduos de agrotóxicos que estão dentro dos produtos.”
- Descascar frutas e legumes, o que removerá completamente resíduos de agrotóxicos superficiais. A retirada da casca não remove resíduos contidos dentro do produto, mas poderá remover valiosos nutrientes.
- Dar preferência por frutas, verduras e legumes de produtores orgânicos, o que colabora com duas coisas: nutrição da família com alimentos livres de agrotóxicos e incentivo ao aumento da oferta de produtos isentos de resíduos de agrotóxicos. Em conseqüência, esses produtos terão preços mais competitivos.
- Adquirir produtos da estação e de pequenos produtores regionais, o que diminui o risco de aquisição de produtos que contenham mais agrotóxicos, em razão de ter que mantê-los em bom estado durante o transporte, além de os alimentos importados poderem conter agrotóxicos proibidos no Brasil. “Pergunte ao gerente do seu supermercado ou para o responsável do estabelecimento onde você compra seus alimentos a origem do produto.”
- Tomar cuidado com os produtos de aparência muito perfeita, pois alguns agrotóxicos são usados simplesmente para melhorar a aparência do alimento. “Quanto menos imperfeições, maior a probabilidade de ter sido usado agrotóxico. Uma superfície brilhante deve-se, muitas vezes, à utilização de ceras e estas podem conter agrotóxicos ou reter os seus resíduos na superfície.”
- Produzir os seus próprios alimentos. “Se possível, tenha sua horta e pomar caseiro. Você pode evitar o uso de agrotóxicos ou usar apenas aqueles que tenham sido perfeitamente testados e estudados e, desta forma, evitar causar mal à saúde ou ao meio ambiente.”    
- Variar os produtos consumidos. Apesar de diversas culturas receberem aplicação de agrotóxicos, algumas estão mais sujeitas a acumular resíduos do que outras. Os tomates e as batatas, por exemplo, possuem cascas porosas e absorvem os agentes químicos em maior quantidade. Isto vale também para os morangos, as verduras e os legumes de vegetação rasteira, por estarem mais próximos do solo.
- Deixar os alimentos de molho em água com vinagre. Duas colheres de sopa de vinagre para cada litro de água por meia hora irá ajudar a degradar alguns agrotóxicos que não são estáveis em meio ácido, além de ajudar a eliminar outros tipos de contaminações que podem ocorrer, como contaminantes microbiológicos.
- Exercer a cidadania. “A melhor maneira de proteger sua família dos perigos causados pelos agrotóxicos é você solicitar, se informar, dar opiniões e cobrar reformas na forma de regulamentação, controle, fiscalização e redução do uso de agrotóxicos.”
Íntegra dos artigos:

- Avaliação do potencial de impacto dos agrotóxicos no meio ambiente

- Resíduos de agrotóxicos nos alimentos

Assessoria de Comunicação da APTA
José Venâncio de Resende
Maitê Laranjeira (estagiária)
(11) 5067-0424
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