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Adubação verde melhora o ambiente de produção para a cana-de-açúcar

A utilização da técnica da adubação verde na cana-de-açúcar com crotalária júncea permite que a adubação nitrogenada possa ser totalmente suprimida. A rápida decomposição dos adubos verdes faz com que a demanda de N pela cana-planta possa ser completamente atendida. É o que conclui o estudo “Adubação verde melhorando o ambiente de produção para cana-de-açúcar”, que contou com a ajuda da técnica isotópica para desvendar o caminho percorrido pelo nitrogênio dos adubos verdes e do fertilizante sulfato de amônio na cultura da cana-de-açúcar.  
O trabalho foi desenvolvido pelos pesquisadores Edmilson José Ambrosano e Nivaldo Guirado (Polo Centro Sul/APTA/SAA); Fábio Luis Ferreira Dias e Heitor Cantarella (Instituto Agronômico-IAC/APTA); Gláucia Maria Bovi Ambrosano (FOP/UNICAMP); Takashi Muraoka e Paulo César Ocheuze Trivelin (Centro de Energia Nuclear na Agricultura/USP); Eliana Aparecida Schammass (Instituto de Zootecnia-IZ/APTA); Fabrício Rossi e Laís Ferraz de Camargo (bolsistas do CNPq no Polo Centro Sul/APTA). Além disso, teve o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da PIRAI (sementes de adubos verdes), em Piracicaba.
“A cana-planta acumulou até o final do primeiro corte quantidades de N semelhantes, provenientes tanto do fertilizante mineral (sulfato de amônio) quanto do adubo verde (crotalária júncea). Contudo, a recuperação de N do adubo verde foi cerca de 10%, e do N mineral 30%”, diz o trabalho.
Os pesquisadores apontam também o efeito sinérgico que a crotalária causa na nutrição do nitrogênio quando se faz uso do sulfato de amônio conjuntamente. Na soqueira, dizem, a menor quantidade de nitrogênio na planta proveniente da fonte marcada foi observada da fonte com sulfato de amônio e, quando este fertilizante foi aplicado em conjunto com a crotalária, esse valor foi maior, indicando que o adubo verde pode estar contribuindo para uma melhor eficiência no uso do fertilizante mineral, neste caso o sulfato de amônio.
Além disso, os pesquisadores observam que houve grande efeito residual do N vindo do adubo verde na soqueira da cana-de-açúcar. Nos tratamentos com adubo verde, tem-se o dobro de nitrogênio vindo do adubo verde em relação aos tratamentos com sulfato de amônio. No entanto, não se verificou diferença entre a recuperação do nitrogênio das diferentes fontes.
“Em outras palavras, trabalhar com a rotação de cultivos pode melhorar o ambiente de produção para cana-de-açúcar e promover um reservatório de nitrogênio que vai sendo aproveitado com o decorrer do tempo e, também, atuar na melhoria da eficiência da adubação mineral com ganhos de produtividade, quando se conjuga as duas fontes.”
Segundo os pesquisadores, o tratamento com crotalária júncea diferiu da testemunha quando conjugado com o N-mineral no primeiro corte, mas não diferiu dos tratamentos utilizando-se somente N mineral ou só crotalária. “Já no segundo corte pode-se observar o efeito duradouro da adubação verde onde os tratamentos com crotalária júncea apresentaram maiores produtividades e a adubação somente com N mineral não apresentou efeito residual e sua produtividade se igualou ao da testemunha. Na média dos três cortes, houve um ganho de 30% na produtividade industrial da cana-de-açúcar conjugando as duas fontes de nitrogênio.”
De acordo com o estudo, houve influência dos tratamentos na produção de açúcar em toneladas por hectare (TPH). A testemunha produziu menor quantidade de açúcar e o melhor tratamento foi obtido quando se utilizou as duas fontes de nitrogênio juntas.
Os sistemas agrícolas são uma modificação dos sistemas naturais para produção de alimentos, fibra e energia para o ser humano. Assim, consideram os pesquisadores que as fontes naturais de adubos, como o adubo verde, podem colaborar com as tecnologias desenvolvidas de adubação não natural, através do uso de fertilizantes, com ganhos de produtividade.
Link: íntegra do estudo “Adubação verde melhorando o ambiente de produção para cana-de-açúcar”
Assessoria de Comunicação da APTA
José Venâncio de Resende
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