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Acervo de 340 mil documentos do Biológico conta história da sanidade agropecuária paulista

Acervo documental de mais de 340.000 documentos - com obras raras e exclusivas, da cultura científica do Estado de São Paulo, do Brasil e exterior - conta a história da sanidade agropecuária paulista e brasileira (animal e vegetal e a vida de seus atores). Os documentos do final do século XIX - que permeiam todo o século XX e chegam ao século XXI – estão sendo resgatados pelo Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, através de seu Centro de Memória. A sistematização e disponibilização desse material conta com recursos do tesouro do Estado e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). 
Parte do acervo é composta por 260.000 documentos textuais sobre pesquisas científicas, as campanhas sanitárias da área animal e fitossanitárias (área vegetal), a vida de cientistas e as conquistas adquiridas no dia-a-dia de suas pesquisas, correspondências com cientistas do Brasil e do exterior e anotações de trabalhos realizados no exterior que identificaram o Brasil como um dos marcos na pesquisa científica no século XX. Inclui, ainda, originais de documentos particulares que dizem da fé e confiança que tinham em um Brasil melhor, correspondências entre pesquisadores e escritores, como, por exemplo, o caso de Arthur Neiva com Monteiro Lobato, e uma quantidade enorme de correspondências entre pesquisadores do IB e pesquisadores do mundo inteiro e artigos em jornais com toda a pesquisa que era realizada no Brasil e no exterior.
O acerto reúne também 60.000 fotografias e 17.000 negativos em vidro e 1.000 negativos estereoscópicos, de cientistas, laboratórios, plantas e animais com as mais diversas patologias, insetos, experimentos etc.; e 3.000 documentos sobre a arquitetura do prédio principal.
Gafanhoto: praga e avião 
Em 1927, portando há 84 anos, o Instituto Biológico foi criado, por intermédio de Arthur Neiva, para atender a necessidade apontada pela sociedade de uma instituição que estudasse as doenças e pragas das plantas e dos animais. Suas atividades científicas foram iniciadas em casas alugadas. E, enquanto o prédio destinado ao IB estava sendo construído, Arthur Neiva, primeiro diretor, abrigou em uma casa, à Avenida Brigadeiro Luís Antonio, uma biblioteca onde revistas e livros sobre pragas do café, paradigma da criação do IB, e outros livros e textos iam se somando.
Os conteúdos dos documentos estão presentes em algumas publicações, relata a pesquisadora Márcia Rebouças. “Mas o acervo inédito de documentos textuais e iconográficos guardados no Centro de Memória do Instituto Biológico é inigualável, pois são provas e testemunhos únicos do desenvolvimento científico e cultural de um período da História da Ciência, em São Paulo e no Brasil.”
A ideia é disponibilizar esse acervo, resultado de todo um processo de resgate documental. Trata-se da “concretização da vida profícua de cientistas que fizeram da sanidade animal e vegetal um berço de conhecimento, que extrapolou o universo do Instituto Biológico, atingindo os dias de hoje, demonstrando que seus trabalhos estabeleceram conceitos que são utilizados no avanço da ciência em nosso Estado, no Brasil e no exterior”, afirma Márcia Rebouças.
Entre os documentos, Márcia cita como exemplo o que faz referência ao “Gafanhoto”, nome dado por Henrique da Rocha Lima, então diretor da Instituição, ao avião utilizado no combate de nuvens de gafanhotos. “Era um Paulistinha, oferecido ao Instituto Biológico pela Campanha Nacional de Aviação. A aviadora Ada Rogatto, funcionária do Instituto Biológico, grande conhecedora dos segredos da aviação e do paraquedismo foi indicada para manejar a revolucionária ´máquina agrícola´.”
Além disso, vários outros documentos são apresentados, trazendo informações sobre os estudos pioneiros das saúvas, relata a pesquisadora do IB. Destaque para o primeiro formigueiro artificial construído em laboratório por Mario Autuori, além de documentos sobre a leprose da laranja, pragas do algodão, carvão da cana, tristeza dos citros, cancro cítrico, aftosa, doença de aujeszky, brucelose, doença das aves, tuberculose e raiva, entre outros.
Aberto a consultas
O IB atende estudantes universitários e profissionais de diferentes áreas de ciências agrárias, história, jornalismo, medicina e arquitetura (o Instituto é um prédio “art decó” e possui importantes documentos nessa área do conhecimento). O acervo é também consultado por alunos de pós-graduação para a realização de suas teses de mestrado ou doutorado, além de historiadores e pesquisadores de várias partes do Brasil, para identificar documentos que são objetos de seus estudos. “Isso demonstra o quanto é importante para o conhecimento científico o restauro e a disponibilização de documentos institucionais para a cultura de nosso país”, conclui Márcia Rebouças.

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Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail reboucas@biologico.sp.gov.br ou pele telefone (11) 5087.1703.
Assessoria de Comunicação da APTA
José Venâncio de Resende
(11) 5067-0424

 

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