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5ª Semana de Citricultura destaca as adversidades da cultura

 
O Brasil é o maior produtor de suco de laranja, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O sucesso desse setor está diretamente ligada às pesquisas do Instituto Agronômico (IAC-APTA), de Campinas. De 03 a 06 de junho, o IAC realiza a 35ª Semana de Citricultura, em Cordeirópolis, interior de São Paulo.
O evento abordará os diversos aspectos da citricultura. A pesquisadora do IAC, da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Alessandra Alves de Souza, apresentará, em 05 de junho, a pesquisa que busca nova estratégia com potencial para o manejo das doenças cancro cítrico e clorose variegada dos citros (CVC), respectivamente são causadas pelas bactérias Xanthomonas citri e Xylella fastidiosa. Os sintomas do cancro são lesões parecidas com verrugas nas folhas, ramos e frutos causando a queda das folhas e frutos e acarretando uma diminuição na produção. Essas lesões são facilmente confundidas com outras doenças ou pragas.
Uma das características da bactéria Xanthomonas citri causadora do cancro cítrico é a sua habilidade em crescer em agregados de células, desenvolvendo um característico biofilme na superfície das folhas. O biofilme protege as bactérias de estresse ambientais, entre eles calor, raios UV, mecanismos de defesa do hospedeiro e compostos antimicrobianos que possam afetar o desenvolvimento da bactéria, como por exemplo, o cobre. “A pesquisa busca retardar ou inibir a formação do biofilme, pois esse serve de proteção para a bactéria, uma vez esta proteção é quebrada, a bactéria se torna mais suscetível a compostos antimicrobianos e a estresse de forma geral”, afirma a pesquisadora do IAC.
Souza explica que como controle químico da bactéria do cancro, os produtores utilizam produtos à base de cobre. Esses produtos ao serem aplicados na planta formam uma camada residual sobre as folhas e frutos conferindo proteção contra a bactéria. “Porém, a grande dificuldade é manter as plantas protegidas, pois as brotações de um pomar são desuniformes e também ocorre o crescimento das folhas e frutos. Estes novos tecidos que não receberam aplicação do produto estão vulneráveis ao cancro e isto faz com que a pulverização seja parcialmente eficaz”, diz. Entre os compostos com potencial de redução do biofilme, o IAC analisa o N-acetil-cisteína (NAC), um composto com propriedades antibacterianas que também é capaz de reduzir a formação de biofilme. Este composto tem ação em uma variedade de bactérias que causam doença em humanos, porém no laboratório do IAC foi testado pela primeira vez em bactérias que causam doenças em plantas. “Nossos estudos foram realizados em laboratório confirmando a ação do NAC sobre a bactéria Xanthomonas citri. Já foi determinada uma concentração capaz de matar a bactéria e também foi constatado que o NAC além de reduzir o biofilme também dificulta o movimento da bactéria”. Agora, de acordo com a pesquisadora o estudo do NAC e também seu efeito quando aplicado em combinação com o cobre está em fase de teste em casa de vegetação. Existe a hipótese de que a aplicação do NAC e posteriormente o cobre seria mais eficiente para combater a bactéria, pois durante o ciclo do cancro cítrico, a bactéria Xanthomonas citri sobrevive sobre a folha. Durante esse período, ela forma biofilme e quando é aplicado produto à base de cobre, a bactéria está protegida por este biofilme. Como o NAC é capaz de reduzir o biofilme, a bactéria em contato com o NAC não formará biofilme se tornando assim mais suscetível ao cobre. “Esta é a nossa hipótese”, diz Souza.
Para Xylella fastidiosa, que causa o CVC, os estudos estão mais avançados, pois já foi verificado que o NAC é capaz de diminuir a população da bactéria dentro da planta além de reverter os sintomas iniciais da CVC e diminuir a severidade da doença em condições de casa de vegetação. “Os testes em campo vão ser iniciados este ano com o apoio da iniciativa privada”, diz a pesquisadora do IAC.
Outra palestra de relevância da 35ª Semana de Citricultura é apresentação de novas variedades de citros desenvolvidas pelo IAC. A pesquisadora Mariângela Cristofani Yaly. Explica que foram avaliados 93 híbridos de tangerina Sunki x Poncirus trifoliata,sendo quedezessete híbridos foram incompatíveis com laranja Pera e, portanto, setenta e seis foram compatíveis com a laranja Pera aos sete anos de idade. As novas variedades ainda não possuem nomes. “Por enquanto, estamos chamando de Citrandarin e o número do híbrido”, diz Yaly.
Os híbridos são provenientes do cruzamento de tangerina Sunki com Poncirus trifoliata Raf. O objetivo é reunir as características apresentadas pelas tangerinas, como menor suscetibilidade ao declínio dos citros, ao viróide da exocorte e a solos calcários, às do P. trifoliata, como resistência à tristeza dos citros, à gomose de Phytophthora e ao frio, além de induzir a formação de plantas de menor tamanho
Essas novas variedades possuem vigor, precocidade, tolerância da planta a fatores como seca, pragas e doenças como tristeza dos citros, gomose de Phytophthora e morte súbita dos citros.
As novas variedades são desenvolvidas levando em conta as necessidades dos produtores. A diversificação no uso de porta-enxertos em citros permite superar os problemas abióticos e bióticos e obter ganhos em produtividade. A utilização de poucas combinações copa/porta-enxerto gerou grandes adversidades da citricultura brasileira, como danos devidos à gomose, a tristeza dos citros, ao declínio dos citros e a morte súbita dos citros. “Com tantas adversidades na citricultura, a obtenção de novos porta-enxertos, para diversificação nos pomares, é um dos principais objetivos dos programas de melhoramento genético de citros”, afirma a pesquisadora do IAC.
A palestra também irá abordar novos híbridos com potencial para variedades copa, dentre os quais destaca-se a seleção de híbridos com características de laranja doce resultantes dos cruzamentos de tangerina Cravo e de Tangor Murcott com laranja Pera. Também foram selecio­nados híbridos com características de tangerinas, com qualidade de fruta adequada para o mercado de fruta fresca e alguns com alta resistência a mancha marrom de alternária, resultados dos cruzamentos de mexerica do Rio com laranja Pera, de tangerina Cravo com laranja Pera, de tangerina Cravo com laranja Valência e híbridos de Tangor Murcott com laranja Pera. 
Huanglongbing (HLB) é discutido na 35ª Semana de Citricultura 
O Huanglongbing (HLB) é o destaque no primeiro dia do evento. O pesquisador do IAC, Dirceu Mattos Júnior, apresenta a palestra “Manejo Nutricional e HLB: progressos dos estudos recentes”. Mattos informa que devido à legislação federal todas as plantas infectadas pelo HLB devem ser erradicadas. “Contudo, temos direcionado nossas pesquisas para o estudo de práticaspara prolongar a vida das árvores afetadas pelo HLB, como aquelas realizadas no exterior, principalmente nos Estados Unidos, com o manejo de adubações em quantidades superiores àquelas recomendadas localmente e uso de outras substâncias que podem aumentar a resistência sistêmica adquiridas das árvores”, diz o pesquisador do IAC.
No ano passado foram arrancadas dos pomares de citros mais de sete milhões de plantas, de acordo com a Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. No relatório do Órgão os principais municípios afetados pela doença foram Limeira, Ribeiro Preto, Jaboticabal, Araraquara, São João da Boa Vista, Mogi Mirim e Bauru. A doença é causada pela bactéria Candidatus Liberibacter transmitida pelo inseto Diaphorina citri. “O plantio de mudas sadias, o controle do vetor com inseticidas, modo integrado em ações regionais, inspeções e erradicação de plantas doentes são as medidas para evitar o HLB”, afirma o pesquisador do IAC.
Embora no Brasil a recomendação oficial de arrancar as plantas doentes seja de conhecimento público, muitos produtores têm deixado a erradicação das plantas para tentar o manejo nutricional diferenciado, com o emprego de produtos comerciais, mesmo sem a segurança de obterem resultados positivos. “Atualmente, os tratamentos estudados não alteraram a resistência ou severidade da doença nas plantas de citros”, diz Mattos.
Manejo sustentável de pomares de citros
O uso de braquiárias e roçadeiras no manejo de pomares de citros será tema da palestra do pesquisador do IAC, Fernando Alves de Azevedo, em 05 de junho. O manejo sustentável da entrelinha é uma prática adotada, recentemente, na citricultura paulista. Até a década de 1990, a proteção do solo não era considerada. O manejo era realizado com uso de grades e herbicidas pré-emergentes gerando enormes perdas de solo devido à exposição às gotas de chuva, facilitando sua erosão e compactação. No manejo sustentável aproveita-se a vegetação espontânea e/ou introduzida, em benefício do pomar, manejando-a com uso de roçadeira lateral ecológica que lança toda massa vegetal da entrelinha para baixo da copa das plantas de citros.
 A pesquisa realizada pelo Centro de Citricultura, que será apresentada na Semana da Citricultura, estuda esse manejo diferenciado da entrelinha, em pomar de lima ácida Tahiti, em Mogi Mirim, interior de São Paulo. Foram avaliadas duas vegetações intercalares (Brachiaria ruziziensis e B. decumbens), manejadas com diferentes roçadeiras convencionais e ecológicas.
“Os resultados preliminares demonstram que as braquiárias produzem quantidades similares de matéria verde e seca da parte aérea. A Brachiaria ruzizienses se decompõe e libera nutrientes mais rapidamente, além de reciclar maiores quantidades de fósforo e potássio do solo”, explica o pesquisador Fernando Azevedo. A roçadeira ecológica proporciona maior deposição de massa verde e seca na linha de plantio, diminuindo o número de plantas daninhas, mantendo o solo mais úmido e menos compactado.
De acordo com Azevedo, o uso da roçadeira ecológica proporciona melhor desenvolvimento vegetativo e consequentemente maior produtividade às plantas de lima ácida Tahiti, sendo boa opção de manejo para entrelinhas dos pomares. A pesquisa tem apoio da Fundação AGRISUS (Agricultura Sustentável), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Serviço:
Evento: 35ª Semana de Citricultura
Data: de 03 a 06 de junho de 2013
Horário: das 8h às 18h
Endereço: Centro de Citricultura Sylvio Moreira - Instituto Agronômico - Rodovia Anhangüera, km 158 – Cordeirópolis, São Paulo
Contato: (19) 3546-1399eventos@centrodecitricultura.br
Texto: Mônica Galdino (MTb 47045)
Assessora de Imprensa – IAC
19 – 2137-0616/613
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